10 de jun de 2013

Perdidos no Espaço da TV: Game of Thrones - final 3ª temporada

Posted by Aline Guevara On 22:40 0 comentários



Ontem foi exibido o último episódio da terceira temporada de Game of Thrones e, diferente da comoção que o episódio anterior havia causado, mobilizando pessoas do mundo todo em redes sociais para discutí-lo, este não provocou muita reação.

De maneira alguma foi ruim, mas foi como qualquer outro episódio bom e não é exatamente o que se espera de um final de temporada. É o preço que se paga por decidir incluir o evento mais importante da seleção do livro que seria adaptada para o terceiro ano no episódio nove. 

(Spoilers da temporada)

O último episódio da temporada, Mhysa, veio em clima de day after, para dar a repercussão daquele que ficou conhecido como Casamento Vermelho. O episódio começou com a conclusão da chacina que atingiu não só Robb, Catelyn e Talisa, como também todos os homens que serviam à bandeira dos Stark nas Gêmeas. Descobrimos que ao menos o Peixe Negro, irmão de Catelyn, conseguiu fugir. A situação toda, provavelmente ainda dolorosa para muita gente, consegue provocar um pouco mais de revolta na cena que exibem o corpo de Robb decapitado costurado à cabeça do Lobo Vento Cinzento e Arya vendo o irmão dessa maneira. A crueldade da atitude é extrema e já dá para perceber que os autores dos assassinatos não passarão incólumes, como indica Bran quando conta a história do Cozinheiro Rato e como Tyrion bem coloca, o norte se lembrará disso. 

No entanto, por duas vezes no episódio é levantada a questão de que a morte de poucos, ainda que realizada de uma forma terrível, é mais válida do que levar milhares a morrer nos campos de batalha por um tempo indeterminado de guerra. É claro, essas declarações carregam os interesses pessoais de Tywin Lannister, Melisandre e Stannis, mas não deixa de deixar no ar discussões diversas. Afinal, quem acompanha a trama de George R. R. Martin sabe que não existe uma linha que separa personagens bons e personagens maus - estão todos misturados em um mesmo balaio e a avaliação da moral de cada um depende muito do ponto de vista. 

O nome do episódio se refere à trama de Daenerys e a forma como ela rapidamente está conseguindo juntar milhares de pessoas ao seu exército com total devoção à Mãe de Dragões, ou, neste caso, só Mãe. A terceira temporada nos trouxe uma nova khaleesi: a conquistadora. A garota que começou de forma bem frágil lá na primeira temporada agora tem oito mil soldados imaculados e inúmeros ex-escravos sob seu controle. Enquanto isso, ela vai deixando um rastro de fogo e sangue pela Baía dos Escravos.

Um dos destaques do episódio, mais uma vez, foi o diálogo entre Tyrion e Tywin. Desta vez o roteiro foi além do livro e acrescentou a pergunta do anão ao pai sobre quando foi que ele deixou os interesses pessoais de lado pela família. A resposta foi de uma maldade que condiz perfeitamente com o personagem. Se Peter Dinklage já provou seu talento desde a primeira temporada e nesta só continuou o excelente trabalho, neste ano Charles Dance pode demonstrar de vez que junto com o "filho" é um dos melhores atores da série.

Se Tywin Lannister foi um dos pontos altos da temporada, Jaime Lannister também foi. Finalmente a história deu mais foco para o Regicida e conhecemos um pouco mais sobre o seu lado da história. Depois de todo o julgamento que ele recebeu, principalmente em relação a morte do Rei Louco, dá para entender a sua amargura e o ódio que sente de pessoas como os honrados Starks. Nicolaj Coster-Waldau mostrou que não é só um rosto bonito-príncipe-encantado-do-Shrek e é justa a indicação que recebeu no Critics' Choice TV Awards como melhor ator coadjuvante.

O ponto fraco da temporada ficou por conta da trama de Jon. A história além da muralha e dos selvagens demorou a engrenar e, se comparar a outros personagens, o patrulheiro fez muito menos coisas relevantes do que os outros, mas a escalada na Muralha e alguns diálogos que ele tem com Ygritte fizeram suas cenas valeram a pena. Já a trama de Bran teve um bom começo, como a chegada dos novos personagens Jojen e Meera Reed, mas sem muitas das conversas entre o menino Stark e o garoto da Visão Verde, a história dele pareceu menos interessante da metade para o fim da temporada. 

"Se pensa que isto tem um final feliz,
você não está prestando atenção."
Já a surpresa da temporada foi a história de Theon. Ninguém que leu os livros esperava que o rapaz voltasse tão breve nas telas, mas a série decidiu mostrar o que houve com ele após a destruição de Winterfell. E a decisão foi acertada, pois não é uma melhor forma de contar a história de Greyjoy como também mostrou o desenvolvimento de um personagem que será muito importante no futuro, o bastardo sádico Ramsay Snow, filho de Roose Bolton, como é revelado no último episódio. 

Também foi uma surpresa as alterações que fizeram na história de Stannis e Melisandre, trazendo Gendry para Pedra do Dragão e incluindo uma cena interessante entre a Mulher Vermelha e Arya em que sugere que o caminho das duas se cruzará novamente. Já Davos vem se mostrando um personagem cada vez mais importante, mudando o rumo nas decisões de Stannis e as cenas dele aprendendo a ler com Shireen Baratheon são algumas das mais bonitas que Game of Thrones já apresentou.

O Casamento Vermelho


Intitulado The Rains of Castamere, o nono episódio serviu para concretizou um dos acontecimentos mais importantes e revoltantes dos livros da série As Crônicas de Gelo e Fogo, mas que vinha sendo construído desde a segunda temporada da série. Não que a morte de Robb fosse uma grande surpresa, afinal o Jovem Lobo estava tomando muitas decisões questionáveis, para dizer o mínimo, que o deixavam em uma situação cada vez mais delicada. Mas a forma como isso ocorreu foi brutal demais. E iniciar a fatídica cena na série com as facadas na barriga grávida de Talisa já mostrou que estávamos diante do começo de um dos momentos mais tensos da história na televisão.

O desenvolvimento do Casamento no episódio ocorreu de forma primorosa. A tensão estava no ar, afinal desde a primeira cena em que surgiu, Walder Frey sempre pareceu ser um canalha, mas quando Catelyn vê a portas do salão se fechando e a música The Rains of Castamere tocando, assim como ela, sabemos que algo está muito errado. Graças a explicação de Cersei alguns episódios antes, sabemos que ela é uma canção de vitória feita em homenagem a Tywin Lannister por ter destruído toda uma Casa (matando todos: homens, mulheres e crianças) que estava se erguendo na tentativa de tomar o poder dos leões. A partir daí existe um excelente trabalho de fotografia e de direção de câmera que torna tudo mais angustiante, nunca desviando o nosso olhar do horror que está por vir.

Os atores também estão excelentes, desde Richard Madden como Robb em desespero vendo a esposa grávida morta até a Arya de Maisie Williams que demonstra num único olhar enquanto assiste a morte de Vento Cinzento a completa desolação de entender o que está ocorrendo. Mas o destaque com certeza vai para Michelle Fairley, a Catelyn. A última tentativa de tentar barganhar a vida do filho nos leva a sentir na própria pele o pânico da situação e, ao fim, nem precisaram os gritos de loucura descritos no livro: o silêncio da personagem e o olhar perdido logo antes de ter a própria garganta cortada bastaram.


Agora é esperar a quarta temporada com ansiedade, que trará os Martell para a história com Oberyn, o Víbora Vermelha, o casamento de Joffrey, a repercussão da volta de Jon para a Patrulha da Noite, o destino de Arya, Jamie, agora mutilado, de volta à Porto Real, a movimentação de Yara Greyjoy para reaver o irmão e Dany continuando a sua jornada. É bastante coisa e em comparação com esta temporada, o próximo ano de Game of Thrones não deve deixar a desejar. Que venha abril de 2014! 

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