11 de jun de 2013

Crítica: O Grande Gatsby

Posted by Aline Guevara On 14:16 0 comentários


Adaptado do romance de F. Scott Fitzgerald, O Grande Gatsby traz a tona o estilo inconfundível do diretor Baz Luhrmann. A exuberância, as cores, as construções de cena quase teatrais são marcas registradas do diretor e seu novo filme abraça todas essas características.

Quem é Jay Gatsby? Uns dizem que ele é primo de um príncipe alemão, outros dizem que é um espião. Alguns afirmam categoricamente que já matou um homem. Mas quase ninguém conhece o seu rosto. O Grande Gatsby mantém o mistério sobre o personagem e suas motivações durante uma boa parte do filme.  

O filme acompanha o jovem e inocente Nick Carrraway (Tobey Maguire) que chega à Nova York com a pretensão de estudar e conseguir subir no seu emprego na Bolsa de Valores, mas se vê seduzido pelo estilo de vida da alta sociedade nova-iorquina com suas festas estonteantes e bebidas à vontade. E tudo muda em sua vida após receber o convite para uma das festas megalomaníacas de seu misterioso vizinho, Jay Gatsby (Leonardo DiCaprio). 

De uma hora para outra, sem muitas explicações, Nick se transforma no melhor amigo do milionário, que o narrador relembra como a melhor pessoa que já conheceu. Mas a aproximação, ainda que gere uma amizade sincera, acaba por se mostrar uma forma de Gatsby chegar mais perto de Daisy (Carey Mulligan), a jovem e bela prima de Nick que é casada com o arrogante Tom Buchanan (Joel Edgerton). 

A exuberância usada por Baz Luhrmann evoca bem a Nova York efervecente que Carraway descreve, a cidade de acordo com os milionários e quem consegue usufruir desta riqueza. Ao mesmo tempo, é impressionante o contraste entre as moradas de Gatsby e dos Buchanan, e a parte miserável onde moram os trabalhadores locais. Assim como Moulin Rouge e Romeu + Julieta, o diretor permite que o pop moderno adentre a atmosfera do filme com uma trilha sonora que vai de Lana Del Rey a Jay-Z.

O Grande Gatsby conta com um ótimo elenco e a escolha por Leonardo DiCaprio para viver o milionário foi acertada. O ator encarna perfeitamente o carisma e a paixão necessários, assim como mantém a aura de mistério sobre o personagem. Já Tobey Maguire desperta quase que instantaneamente toda a nossa simpatia em relação a Nick, enquanto que Carey Mulligan faz um excelente trabalho criando uma Daisy dúbia.

Nick explana sobre o sonho incorruptível de Gatsby, abstendo-o de culpa sobre tudo o que ele faz para atingir tal intento. Mas é evidente que o Gatsby que conhecemos é uma forma idealizada que Nick projeta, assim como era Daisy na mente do milionário. Em determinado momento do filme, o narrador presencia um momento que Gatsby perde a calma e assusta todos com um surto de ódio, e percebe que ele poderia de fato ter matado um homem, como os boatos indicavam. 


O Grande Gatsby de Luhrmann pode soar operístico e dramático demais, distanciando-se da obra de Fitzgerald, mas o estilo funciona muito bem nesta narrativa que parte da mente perturbada de seu narrador. 

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