2 de fev de 2013

Crítica: Os Miseráveis

Posted by Aline Guevara On 12:23 0 comentários


Apesar das muitas adaptações para o cinema, é sempre um imenso desafio retratar a obra mais célebre de Victor Hugo. E agora, nas mãos do diretor Tom Hooper e com um elenco estelar, Os Miseráveis ganha mais uma ótima versão.

Jean Valjean (Hugh Jackman) é um pobre francês, entre milhares na mesma situação, que é preso após roubar pão para alimentar o filho da irmã que passava fome. Ele é condenado e após cumprir 19 anos de trabalhos forçados nas galés, se torna um foragido após infringir sua liberdade condicional. Ele se torna alvo do inspetor Javert (Russel Crowe), que o persegue em uma caçada incansável. Sua vida se cruzará com a vida de Fantine (Anne Hathaway), jovem infeliz que trabalha duro para mandar dinheiro ao casal Thénardier, que cuida da sua filha Cosette (quando criança, Isabelle Allen, e adulta é Amanda Seyfried).  

Apesar do livro que originou o musical ser dividido em cinco partes, o filme é separado claramente em três atos: a fuga de Jean Valjean e seu momento de mudança; a história de Fantine e sua relação com Valjean; e a terceira fase, e mais longa, se passa em Paris, mostrando a miséria em que vive a população, a insurgência dos jovens para lutar por seus direitos e o desenvolvimento do amor entre Cosette e o jovem Marius (Eddie Redmayne). 

O revolucionário Enjolras (Aaron Tveit) e seus companheiros de luta

Para os que tem pouca paciência com musicais, o filme pode ser um pouco exaustivo. Praticamente não há falas, apenas cantorias, mas a estranheza é superada ao longo da projeção. Em especial, Anne Hathaway consegue lidar com a cantoria de forma muito natural.

Ela, aliás, está impressionante. Consegue retratar Fantine com força e sensibilidade na medida certa e a sua interpretação de "I Dreamed a Dream", em um momento particularmente destrutivo da vida da personagem, é estonteante. Nesse momento percebemos o quão acertada foi a decisão de gravar em as músicas nas próprias cenas, carregando-as com a emoção dos próprios atores, e não dentro de um estúdio. O mesmo vale para Samantha Barks, na bela e triste cena na qual Éponine canta "On my own".

A bela Éponine (Samantha Barks) em um dos
 momentos mais bonitos e tristes do filme

Os Miseráveis é um drama por essência, carregando o destino de diversos personagens que fazem jus ao seu título. Mas Sacha Baron Cohen e Helena Bonham Carter estão divertidíssimos como o casal de trambiqueiros donos de uma estalagem que fazem de tudo para roubar seus clientes. A sequência musical "Master of The House" é hilária.

Os Thénardier e a pequena Colette... opa, Cosette!

Já me disseram uma vez que é em momentos musicais que o personagem pode demonstrar todos os seus sentimentos, que é quando a emoção é verdadeiramente expressada. Por esse lado, faz todo o sentido Os Miseráveis ser um musical. Todo o ambiente e situações criadas por Hugo despertam ápices de diversas emoções: o desespero de Fantine, a luta interna de Javert, o espírito revolucionário de Enjolras (Aaron Tveit) e do menino Gavroche (o fantástico Daniel Huttlestone), a paixão avassaladora de Cosette e Marius, a tentativa de redenção de Jean Valjean. Todos miseráveis e sofredores. Todos lutando pela chance de ser feliz.

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