9 de out de 2012

Das Prateleiras: Orgulho e Preconceito (2005)

Posted by Thaís Colacino On 22:17 1 comentários

 
Apaixonar-se nunca foi fácil. No século XIX então não era mais simples, com todas as regras de etiqueta vigentes, a pressão por um bom casamento (e para casar antes dos 20) e o preconceito social que existiam. Em meio a esse mundo, Jane Austen escreveu Orgulho e Preconceito, que conta com diversas adaptações para televisão e cinema. A mais recente delas é a excelente versão de Joe Wright, cuja musa parece ser Keira Knightley, com quem trabalhou em Desejo e Reparação e no ainda inédito Anna Karenina.




O filme de 2005 (127 min) trata da história de amor e ódio de Elizabeth Bennet (Keira) e Mr. Darcy (Matthew Macfadyen). A já famosa fórmula de "se conhecem e se odeiam mas depois se amam", se não se originou com tal história, foi por ela popularizada. 

Elizabeth é uma garota a frente de seu tempo: não deseja se casar se não por amor e dispensa futilidades por um bom livro, além de adorar caminhar. Tal comportamento só angustia a insuportável - mas compreensível - mãe, Mrs Bennet (Brenda Blethyn, em uma excelente atuação), que deseja que todas as cinco filhas casem para que tenham um futuro e sejam aceitas na sociedade.






Mr Darcy e Mr Bingley
A história começa com a chegada do novo vizinho dos Bennet: Mr. Bingley (Simon Woods), um homem rico que logo dá um baile de boas vindas para conhecer a vizinhança. Em meio a belíssimos figurinos, coreografia e música, somos apresentados à irmã de Mr. Bingley e à Mr. Darcy, que entram carrancudos. Começam a partir daí várias histórias de mal-entendido, rancor e, claro, de orgulho e preconceito. Nas idas e vindas dos personagens, situações se desenrolam por influência de outros personagens e podem ter consequências grandes, principalmente emocionais.

Brenda Blethyn e Donald Sutherland


Orgulho e Preconceito tem um elenco cheio de talentos, com Donald Sutherland (Jogos Vorazes) como Mr Bennet, uma participação especial de Judy Dench (007) como a tia chata Lady Catherine de Bourg e marca a estreia da estrela em ascensão Carey Mulligan (Shame), como Kitty. Os destaques óbvios são os protagonistas: Keira com a atuação impecável de sempre, criando uma Elizabeth multidimensional e complexa, e Matthew, atuando principalmente com os olhos e expressando a confusão de Mr Darcy ao se apaixonar e, ao mesmo tempo, tentar esquecer tudo. Isso, claro, sem contar a "química" entre os dois.



O filme também conta com cenários belíssimos de tirar o fôlego, quase sempre embalados pela trilha sonora característica que permeia todo o filme. Os figurinos e as coreografias das danças também merecem atenção.

 Dawn, de Dario Marianelli

Algumas cenas também merecem destaque. Quando Elizabeth e Mr Darcy dançam na casa de Mr Bingley, por exemplo, houve a acertada decisão de gravar duas cenas: com os protagonistas realmente na festa e na visão deles, em que só os dois estão presentes, se odiando e ignorarando todas as pessoas ao redor, mostrando bem a intensidade dos sentimentos.


Outra parte, que demonstra bem o cerne do filme, são as declarações e pedidos de casamentos feitos à Elizabeth. Quando o Mr Collins faz o pedido, ele afirma que, antes que expresse os sentimentos que o levaram a tal decisão, precisa mostrar as razões, citando questões de herança e finanças, além de insultar Elizabeth, sugerindo que ela nunca receberá outra proposta. Já Mr Darcy demonstra os sentimentos (de certa maneira, também insultando Elizabeth), ainda que de forma orgulhosa, na cena da chuva, o que leva a uma tensa argumentação e rejeição.


Demonstrando as dificuldades de se apaixonar, e, principalmente, de fazer com que os enamorados percebam que rejeitam justamente o que existe de errado no próprio convívio (o preconceito de Elizabeth com a própria família, os defeitos da tia de Mr Darcy que ele projeta na família dos Bennet, o orgulho ferido de ambos), o clássico literário ganhou uma excelente adaptação. Para os simplistas pode ser um filme em que pouco acontece, mas para quem quiser ver Orgulho e Preconceito é um filme que faz com que nos apaixonemos pelo amor.


1 comentários:

Lindo post, adorei acada linha escrita, já assisti este filme, e vc, conseguiu resumir com perfeição!
Do filme eu não preciso dizer nada, magnifico.

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