17 de fev de 2013

Crítica: A Hora Mais Escura

Posted by Thaís Colacino On 12:03 0 comentários


Quando Bin Laden foi capturado e morto, houve comemorações. Quando a sessão de A Hora Mais Escura terminou no cinema, também.

Não que o filme seja ruim. Muito pelo contrário, é muito bom. Mas é muito longo. O motivo para isso é simples: são abordados sete dos dez anos de perseguição ao terrorista, e a pesquisa e investigação intensas são mostradas de forma a deixar claro o desespero e esperança que esvai a cada pista perdida. A tensão no filme é palpável, ainda mais quando o esconderijo pode ou não ter sido encontrado.



Na trama acompanhamos Maya (Jessica Chastain), uma agente do FBI escolhida a dedo para procurar a agulha no palheiro que é Bin Laden. Ao chegar já recebe sua arma: um computador empoeirado em um local tão sujo quanto no Paquistão. Ela presencia a tortura de presos, e mesmo parecendo não apreciar o modo, insiste nele pela missão.



A Hora Mais Escura retrata bem as novas formas de guerra que estamos vivendo: análise metódica dos passos do inimigo, tensão por não saber quando nem onde haverá outro ataque, o não entendimento dos motivos nem do idealismo, e, principalmente, o medo da represália internacional (e econômica) que faz ser uma guerra à distância, sem a possibilidade de utilizar o poderio militar que o país possuí. Em certo momento do filme, Maya diz que "preferia jogar uma bomba" no local onde acha que Bin Laden está, ao invés de esperar uma solução tática de reconhecimento invadir e agradar os políticos do país.



O filme aborda os anos de 2004 a 2011, ou seja, a troca do presidente Bush para Obama e a política de não utilizar torturas contra os presos - ou assim eles afirmam. Sem essa possibilidade, cresce o desespero do pessoal da CIA, que não consegue achar outro meio de conseguir informações. O clima é muito bem trabalhado e os atores fazem um excelente trabalho mostrando não só o cansaço, mas quando depositam esperanças nos menores detalhes que possam aliviar anos de trabalho e finalmente descansar a mente.


Para separar os anos, o filme se utiliza de capítulos, com títulos que passam pela tela, dizendo o que será importante ali. Também é permeado pelas notícias sobre outros atentados no mundo, como o de Londres, da Índia e no Afeganistão, que acabam por envolver mais o público, que presenciou todo o horror vindo com as fortes imagens que ficaram por semanas nos jornais.
 



Jessica faz por merecer a indicação ao Oscar de melhor atriz, construindo Maya, que é uma personagem real e cujo nome obviamente não sabemos, como uma mulher forte e determinada, que mesmo sendo a única que acredita na pista que tem, não se intimida por um ambiente majoritariamente masculino ou pela descrença alheia. Ela utiliza táticas com se aproximar da única outra mulher no time, o que acaba com a competição, fala grosso e com palavrões perto de autoridades, para conferir mais convicção à suas ideias.



A Hora Mais Escura é um retrato das guerras atuais, metódicas e analíticas, precisando mais do que nunca do cérebro como arma e da antecipação do movimento dos inimigos. A metade final do filme mostra bem esse aspecto: é todo dedicado à formas de invasão e reconhecimento de informantes. E a diretora, Kathryn Bigelow (premiada por Guerra ao Terror), precisar se estender para que o público entenda a ansiedade dos próprios envolvidos, ela o fará, como fez no outro filme. É a guerra 3.0.

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