1 de nov de 2012

Era uma Vez: Entrevista com o Vampiro

Posted by Thaís Colacino On 18:48 0 comentários

"Eu queria amor e bondade nisto que é a vida em morte. Era impossível desde o início, pois não se pode ter amor e bondade quando se faz aquilo que se sabe ser mau, que se acredita errado" - Louis

Entrevista com o Vampiro, clássico de Anne Rice, foi belamente traduzido para as telas do cinema. Mas, como sempre, o livro contém mais informações que ajudam a entender um pouco mais a angústia de Louis, além de outros desfechos, apressados para que o ritmo da película fosse mantido.

Para quem não conhece a história, Louis é um vampiro que resolve dar uma entrevista a um repórter, contando sua vida, iniciada no século XVIII, e de sua não-vida, quando foi transformado pelo vampiro Lestat. Enquanto esse último acredita ter dado um presente para Louis (em troca da companhia e dinheiro deste), o recém transformado mergulha cada vez mais no desespero, seja pela solidão, por acreditar que foi condenado ou por não obter respostas sobre o que é.

 A história também aborda a criação da vampira menina Claudia, a relação dela com os pais, a descoberta de outros vampiros e da relação de Louis com Armand. Em todo o livro, permeia o questionamento de Louis sobre como sua espécie surgiu. Curioso e emotivo, ele lamenta-se de sua condição, aliviada pela chegada de Claudia, mas ainda assim não tem a felicidade plena. Como retratado na frase que abre a resenha, Louis horroriza-se de ter que matar para sobreviver, não sentindo prazer na caçada como Claudia e Lestat. As agonias do vampiro vão aumentando a um ponto crítico e, após uma tragédia, ele decide entre continuar a ter resquícios de humanidade ou aceitar ser o que é: um ser frio e solitário.

Anne tem um estilo peculiar de escrita em Entrevista com o Vampiro, que difere das outras crônicas vampirescas da autora: ele é quase todo escrito como se Louis falasse, como se realmente estivesse sendo entrevistado. Por isso, as travessões são uma constante, assim como só percebemos o mundo através dos olhos de Louis. O problema é que quando há mais de duas pessoas conversando (o que de fato é raro), às vezes é confuso saber quem está falando, já que a fala pode continuar em outro parágrafo, sem identificação.

Para quem gostou do filme ou gosta do tema, o livro é obrigatório: as cenas no Teatro dos Vampiros são infinitamente mais assustadoras e intensas do que no filme, mostrando bem a natureza dos seres imortais, como quando eles conhecem Armand e sua cela, ou na trágica cena de Louis sendo emparedado - entre outras coisas. O relacionamento de Louis e Armand, algo somente sugerido no filme, é de extrema importância para o final da história e para a transformação do pensamento de Louis.

A importância de Lestat também é diferente: enquanto ele parece ser mais o protagonista do filme que o próprio Louis (graças à atuação excelente de Tom Cruise), Lestat é somente mais um vampiro que não sabe muito e quer companhia, ganhando importância nos outros livros das crônicas.

Claudia na HQ
Os vampiros de Anne Rice também compartilham características interessantes: são apaixonados por todo tipo de arte, que, aos olhos de Louis, serviam para tentar compreender mais da natureza humana e até da imortalidade, além de, claro, ser uma bela distração para os olhos que enxergavam melhor do vampiro. Eles também respiram e sangram, apesar de morrerem somente com desmembramento, sol e fogo. E quando se alimentam, não sugam só o sangue, mas a vida de suas vítimas, recobrando a vitalidade e temperatura da pele.

Apesar de tratar dos conflitos da imortalidade, fica claro que estes originaram-se das vidas humanas, o que faz Entrevista com o Vampiro ser não só um clássico do gótico e do horror, mas também um tratado sobre a vida humana e sobre a solidão.

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