22 de nov de 2012

Era uma vez: As Brumas de Avalon - Vol. 3 & 4

Posted by Aline Guevara On 21:46 0 comentários

Marion Zimmer Bradley reinventou a lenda arturiana ao contar a história da grande lenda britânica sob a perspectiva de suas mulheres, como Morgana, Guinevere, Igraine, Morgause, Viviane, entre outras. Comentamos os dois primeiros volumes da série As Brumas de Avalon na semana passada e agora vamos à sua conclusão dessa quadrilogia fascinante.

(Spoilers dos livros anteriores)

O Gamo-Rei

O terceiro livro da série representa um salto no tempo em relação ao anterior. Os personagens agora estão mais maduros e começam a ser atingidos pelos dramas que só o tempo pode trazer aos seus problemas já consolidados nos dois primeiros livros. E o maior deles é o amadurecimento de Mordred, filho do relacionamento incestuoso de Morgana e Artur.

O desgosto de Morgana com a vida na corte de Camelot é evidente no início do livro, e também é completamente compreensível para uma mulher que foi criada em Avalon. Ela sente falta da sua vida como sacerdotisa, além de estar atormentada com a Visão, uma vez que não sabe se foi ou não abandonada pela Deusa. Mas quando ela tem a chance de voltar ao mundo que a acolheu, eventos terríveis abatem seu espírito e ela fica perdida. Enquanto isso, a pressão sobre Gwenhwyfar (Guinevere) aumenta: ela precisa dar um herdeiro a Artur. Começam a se espalhar boatos sobre o motivo da demora e o pior deles é o caso da rainha com Lancelote. 

A disputa entre Morgana e Gwenhwyfar também se desenvolve no livro, cada uma representando uma força que move e pressiona os movimentos de Artur na Bretanha. Enquanto Morgana é o poder da antiga religião que apóia e protege o grande rei, Gwen é a religião cristã que cresce poderosa e implacável.

O Gamo-Rei marca várias mortes importantes e mudanças profundas nos personagens. O terceiro livro é um dos melhores da série, pois além de ser o palco de algumas cenas fantásticas, marca transições primordiais para a história e nos prepara para o clima de conspiração e decadência que rege o final de As Brumas de Avalon.



O Prisioneiro da Árvore

O último livro da série é movido por uma certa urgência e também melancolia. Os anos áureos de Artur já passaram e a paz conquistada da vitória contra os saxões, aliada as histórias do caso entre Gwen e Lancelote, a perda do apoio de Avalon e o crescimento da ameaça representada por Gwydion (Mordred), começa a trazer decadência à Camelot.  

Avalon está no mesmo processo. A ilha sede da religião antiga está quase totalmente separada do mundo real pelas brumas que a envolvem, o que tornam os esforços de Morgana, Niniane e os outros devotos da Deusa mais desesperados. E o primeiro deles é tomar de volta as relíquias sagradas (entre eles o Graal, cálice sagrado, e a espada Excalibur), várias delas entregues por Kevin, o Merlim atual (pois Merlim no livro é um título, não um nome), que traiu seu juramento de lealdade a Avalon.

O final da saga criada por Marion pode dividir opiniões (aliás, é difícil um final de série agradar a todos), mas ela guarda algumas surpresas interessantes para suas últimas páginas e que devem deixar os leitores pensando. 

As Brumas de Avalon é uma série que se propôs a contar uma narrativa tão conhecida sob a perspectiva feminina e criou algo maior, uma mitologia única e especial. Como não poderia deixar de ser, esse mundo tão amplo não ficou restrito a lenda do Rei Artur. Marion escreveu vários livros abordando a história de Avalon e suas sacerdotisas, que nada mais são do que as personagens da quadrilogia em suas outras vidas. Para quem gostou da série Avalon, vale a pena conferir os outros títulos da escritora.

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