20 de nov de 2012

Das Prateleiras: A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça

Posted by Aline Guevara On 23:43 0 comentários


Partindo do conto "The Legend of Sleepy Hollow" de Washington Irving publicado em 1820, Tim Burton teceu mais uma de suas histórias incríveis e um de seus filmes mais impressionantes em relação ao visual. A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (Sleepy Hollow, 2000) pode até parecer um filme de entretenimento despretensioso, mas contém muitos elementos preciosos que resultam em cinema da mais alta qualidade.

Ichabod e os apetrechos que ele mesmo criou
para descobrir a verdade a partir da ciência
Ichabod Crane (Johnny Depp) é um policial de Nova Iorque cético e curioso. Diferente da maioria de seus colegas, ele não se contenta em encerrar um caso somente porque o morto foi encontrado boiando no rio – ele quer determinar se as causas da morte foram mesmo acidentais ou se há a possibilidade de ser algo a mais. Mas o oficial irrita tanto os seus superiores que é enviado ao pequeno vilarejo holandês de Sleepy Hollow, onde três pessoas foram assassinadas tendo as cabeças decepadas.

Para desespero de Ichabod (em todos os sentidos, pois além de se apoiar na ciência em todos os aspectos, o policial também é um pouco medroso), a explicação dos moradores do vilarejo para os assassinatos é fantástica: foi o espírito maligno, o Cavaleiro Sem Cabeça, que cometeu os crimes. Segundo a lenda, ele era um mercenário (Christopher Walken) contratado por uma princesa alemã para lutar pela causa inglesa, mantendo os norte-americanos sob domínio da Inglaterra. Mas sem interesse no dinheiro, ele queria mesmo era participar da carnificina, com um prazer sinistro em decepar seus inimigos. Sua morte em batalha deveria trazer alívio aos habitantes de Sleepy Hollow, mas agora, 20 anos depois, ele voltara a assombrá-los.

Recusando-se a acreditar nas superstições locais, Ichabod acredita piamente que o assassino de Sleepy Hollow tem carne e osso, e está determinado a encontrá-lo. 

Da mesma forma que vamos descobrindo os mistérios envolvendo o Cavaleiro Sem Cabeça e o que move os assassinatos, embarcamos em um mergulho nas lembranças do próprio Ichabod, cujo horror em nada deve aos acontecimentos que o policial está vivendo em Sleepy Hollow. As terríveis memórias da infância ajudam a explicar o comportamento excêntrico de Ichabod.

A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça mescla cenas de uma delicadeza impressionante, como o beijo que Katrina (Christina Ricci), de olhos vendados, dá em Ichabod em meio a uma brincadeira, com outras de uma brutalidade extrema, como os assassinatos. No entanto, assim como Burton voltou a fazer em Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, o diretor opta por deixar o sangue com uma tonalidade alaranjada e uma consistência pastosa, claramente falso, para suavizar as cenas mais violentas.

A fotografia é estonteante. Utilizando na maior parte do tempo os tons frios e sombrios, o filme quase se passa em preto e branco. Não deixa de ser uma homenagem ao gênero do terror no começo do século passado, assim como a cena o moinho pegando fogo, em referência a Frankenstein. No entanto a paleta de cores ganha tonalidades mais quentes em momentos específicos, como nas memórias de Ichabod ou quando o policial está com Katrina.

Reunindo um elenco estelar, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça ainda conta com Michael Gambon (o Dumbledore de Harry Potter) como Baltus Van Tassel, Miranda Richardson como a Lady Van Tassel e Richard Griffiths como o juiz Philipse. Até o grande Christopher Lee aparece para fazer uma pontinha como um juiz lá no começo do filme.

O filme reúne o que há de melhor de Burton: suspense e terror na medida certa, a excentricidade com pitadas de comédia, a fotografia fabulosa (o filme ganhou o Oscar em direção de arte), os personagens cativantes, as reviravoltas surpreendentes e o roteiro impecável. É recomendação máxima a qualquer um que goste do cinema de Tim Burton ou simplesmente esteja a fim de se divertir com um ótimo filme.

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