26 de jul de 2012

Era uma vez: Terras Devastadas - A Torre Negra

Posted by Aline Guevara On 15:34 0 comentários


Depois do ritmo alucinado de A Escolha dos Três (The Drawing of Three, 1987), o começo de Terras Devastadas (The Waste Lands, 1991) provoca uma parada brusca, que se propõe a dar algumas explicações para as muitas dúvidas deixadas nos outros livros. A saga de Stephen King, que começou em O Pistoleiro (The Gunslinger, 1982), amadurece neste terceiro volume e alcança uma harmonia perfeita entre ação, suspense, desenvolvimento dos personagens e história, cada vez mais complexa.

(Spoilers dos livros anteriores)

Roland não está mais sozinho, seu ka-tet, que significaria algo como um grupo profundamente unido por um objetivo comum, começou a se formar no volume anterior e está quase completo. Longe da heroina, Eddie Dean está mais forte e em pouco tempo de treinamento mostra que pode ser quase tão bom pistoleiro quanto Roland. O mesmo ocorre com Susannah, a nova e definitiva personalidade que assume a mulher trazida pelo pistoleiro ao Mundo Médio, que atinge um equilíbrio entre a boa Odetta e a forte Detta. Apaixonada por Eddie, ela abandona também os sobrenomes anteriores, Holmes e Walker, e se torna Susannah Dean. Mas ainda falta uma pessoa.

Nós conhecemos Jake Chambers no primeiro livro, O Pistoleiro, e a impressão deixada pelo menino foi forte. Neste livro acompanhamos mais da sua história. Ao impedir a morte do garoto pelas mãos de Jack Mort em A Escolha dos Três, Roland cria um paradoxo temporal e tanto ele quanto Jake começam a enlouquecer com as mentes dilaceradas. É primordial que consigam trazer o menino de volta ao Mundo Médio, pela vida dele e de Roland.

É em Terras Devastadas que conseguimos ter uma noção clara de como o mundo de Roland está se desfazendo. Quando ele mostra a Eddie e Susannah a colmeia produzida por abelhas que parecem ter sofrido os efeitos de radiação, grandes e nojentas, mas agora comuns nesse universo, que a ficha cai. O Mundo Médio está apodrecendo, de dentro para fora; o que existia se perdeu e o novo já nasce podre. A obsessão do pistoleiro pela Torre Negra, na tentativa de salvar o seu mundo, e provavelmente todos os outros, começa a fazer todo o sentido.

A primeira metade do livro corre em um ritmo mais lento, permitindo explicações que serão importantes na busca pela Torre, como a relação dos feixes de luz. Roland e seus companheiros se deparam com Shardik, o urso cyborg guardião do portal de um desses feixes, e o derrotam. São seis feixes que atravessam o mundo de Roland, um portal em cada ponta, 12 no total, e são eles que impedem que o mundo entre em colapso e se autodestrua. Pelo menos quatro deles estão perdidos e os dois restantes não durarão muito. Mas o pistoleiro ainda nos revela a informação mais importante sobre os feixes: é na interseção deles que se encontra a Torre Negra.

A segunda metade do livro acelera novamente o ritmo da ação na história. E da tensão também. A chegada do ka-tet na cidade de Lud é marcada por uma ansiedade constante e aquela terrível sensação de algo muito ruim ainda está por vir, bem sintonizada com os tambores que os membros do grupo escutam nas ruas da metrópole abandonada. Com um final alucinante, as últimas páginas do livro nos apresentam um novo motivo para temer pelos personagens e, como só Stephen King consegue fazer, nos deixa roendo as unhas de nervosismo e desesperados pelo próximo volume.

Desta vez nossa simpatia pelos personagens é cada vez maior, mas a angústia pelo destino de cada um deles, que promete ser negro como a Torre que buscam, cresce na mesma proporção.

O ka-tet: Oi (o bichinho), Eddie, Susannah, Jake e Roland


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