24 de jul de 2012

Das Prateleiras: Batman Begins & The Dark Knight

Posted by Thaís Colacino On 17:07 0 comentários



Batman Begins (2005, 140 min) começa com um tombo do pequeno Bruce Wayne, que o leva a ser cercado por morcegos que passa a temer. Resgatado, ouve algo que permeia por toda a série “Por que caímos? Para aprendermos a nos levantar.” Não deixa de ser uma analogia ao que aconteceu com o herói no cinema: após os bons filmes de Tim Burton, as outras representações foram deploráveis, terminando com o ridículo Batman & Robin e os famosos mamilos na armadura, chegando ao fundo do poço. E então surgiu Christopher Nolan e a versão mais sombria e fiel ao espírito do personagem tomou forma.

O filme conta o começo de Batman: desde o crime que matou os pais de Bruce, o treinamento com a Liga das Sombras e o misterioso Ra's Al Ghul e a composição da mitologia do herói. Ambientado em uma Gotham tomada pela criminalidade e com cores que remetem a qualquer grande metrópole, a audiência passa a acreditar que um herói de carne e osso (e muito dinheiro e treinamento) é possível.

O talentoso Christian Bale dá forma ao herói, que se coloca em exílio para entender a mente criminosa, até ser preso e praticar artes marciais em outros. Entra em cena Henri Ducard (Liam Neeson), que vê em Bruce alguém que odeia a criminalidade e um possível pupilo. Para isso, Bruce tem que encontrar a mítica flor azul que produz um composto que quando inalado causa alucinações com o que a pessoa mais teme. E começa o treinamento ninja de Batman: primeiro, enfrentando o próprio medo,  depois utilizando artes para se esconder, lutando com cem homens, aprendendo técnicas de luta, de estratégia e de inteligência em conjunto com ambiente e oponente. Por divergir com a crença do grupo, Bruce escapa da Liga e volta para Gotham determinado a colocar o que aprendeu em prática, a usar o medo que possui como arma, utilizando-o contra aqueles que o usam para se impor.  

O filme tem um elenco talentoso: Michael Caine como o mordomo Alfred, Morgan Freeman como o gênio das empresas Wayne Lucius Fox, Gary Oldman como Jim Gordon antes de ser comissário, Cillian Murphy como Dr. Jonathan Crane/Espantalho e Katie Holmes (o elo mais fraco) como Rachel Dawes. Apesar do filme ter duas horas, ação e diálogos muito interessantes, é possível que todos os personagens tenham desenvolvimento e que fique claro o que guia cada um.

Um dos pontos interessantes do filme é não utilizar os vilões mais conhecidos do grande público para chamar a atenção: o que importa é a lógica. Ra’s treina Batman e o medo é utilizado pelo Espantalho. Os inimigos também são criminosos normais, como Falcone e Zsaz, todos presentes nos HQs (e note que Rachel diz que Crane tem um asilo...). O Coringa só é mencionado no fim do filme, com a carta mostrada por Gordon, dando a entender que Batman é diretamente responsável por sua aparição e não o contrário.

Mesmo mostrando a criação do herói, da roupa ao símbolo, o filme nunca é de fato parado. Os diálogos e lembranças estão lá para que possamos compreender Batman, para que acompanhemos sua evolução. E quem não gostaria de estar presente e ser cúmplice de uma lenda que admiramos?

Apostando não só em um visual realista, mas também na velha guarda do cinema ao deixar de lado os CGIs, em um excelente roteiro e em ótimas atuações, Batman Begins é de fato um novo começo para uma das melhores franquias da atualidade e de um dos heróis mais fascinante e querido.



The Dark Knight (Cavaleiro das Trevas) (2008, 152 min) começa pouco depois do fim de Batman Begins: a mansão Wayne continua em reconstrução e a cidade está mais segura, graças não só ao Batman, mas ao medo que o símbolo dele inspira. E não é só medo que o herói inspira: há outros que se vestem como ele utilizando armas para tentar combater o crime, além da presença do novo promotor da cidade, Harvey Dent (Aaron Eckhart). Mas tudo irá mudar, já que a ameaça do Coringa (o fantástico Heath Ledger) só cresce.

Com uma sequência incrível de roubo ao banco já no começo, percebemos a natureza instável do Coringa: não há lealdade com aliados, com a máfia, com nenhum conceito existente. O que importa não é dinheiro nem nenhuma riqueza. Para o sádico palhaço metido a gênio do crime, o que importa é a distorção de tudo que existe, de mostrar o lado obscuro que existe em cada um, o caos.

Com a ambientação já estabelecida, sobra espaço para desenvolver os antigos e novos personagens, mostrando as novas facetas e o porquê de tomarem a decisão que tomam. Encurralados por Batman, os criminosos entregam a cidade e suas forças nas mãos de Coringa e seus mirabolantes planos, estudados nos últimos detalhes e cheios de reviravoltas.

E se as continuações normalmente perdem a qualidade do primeiro filme, The Dark Knight é bem o contrário: as cenas de ação são misturadas ao suspense e deixam o espectador na beira da cadeira esperando o que irá acontecer,  tentando descobrir quem irá trair quem ou o que o Coringa planeja e, principalmente, qual o plano mirabolante de Batman para dar conta de tudo.

E é impossível falar de TDK sem mencionar a atuação magnífica de Heath Ledger. O Coringa por ele interpretado rouba a cena sempre que aparece, como um imã, e sempre esperamos a próxima aparição. Ele é sádico, instável e com um peculiar senso de humor, além de ter uma ótima imaginação para pensar em planos (apesar de dizer que não o faz) e em histórias que expliquem suas cicatrizes. Seus trejeitos, calculados e um pouco arrastados, escondem a velocidade que tem em agir, e a insistência em tocar com a língua as feridas na boca geram consistência. O modo com o qual ele impregna a loucura em Dent (o Duas-Caras) é cruel e põe em risco todo o bem que o promotor fez para Gotham, além de causar mais problemas para o morcego, cuja saída é o auto-sacríficio.

Com excelentes cenas de ação, atuações incríveis e um roteiro impecável, The Dark Knight é uma obra-prima.



Mais sobre o Morcego:

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