21 de jul de 2012

Crítica: Valente

Posted by Aline Guevara On 08:44 0 comentários



Valente não só é um espetáculo visual, orquestrado pela estonteante trilha sonora assinada por Michael Giachino, mas também é uma bela história da heroína mais legal que o cinema pode nos apresentar nos últimos anos dentro das animações.

Merida é uma princesa rebelde: gosta mais da vida ao ar livre, entre cavalgadas e disparos de arco e flecha, sua arma preferida, do que da vida na corte do castelo de onde seus pais governam a Escócia medieval. Seu problema começa quando os primogênitos dos três grandes clãs escoceses se oferecem a competir por sua mão. Desesperada diante da possibilidade de ser obrigada a casar com um desconhecido e perder sua tão preciosa liberdade, ela decide enfrentá-los e vence todos com facilidade.

Os clãs se ofendem com a atitude impetuosa da princesa e enquanto os pais da jovem, o rei Fergus e a rainha Elinor, tentam remediar a situação, ela foge do castelo. Na floresta, ela se depara com algo que pode ser a solução para os seus problemas e é quando eles realmente começam.

Muito está se falando sobre como a Pixar se rendeu ao “modo Disney de contar histórias” com Valente, como forma de diminuir a animação em relação às anteriores produzidas pelo estúdio, mas há uma certa preguiça e má vontade com essa comparação. Para começo de história, porque Disney se tornou símbolo de mediocridade? Além do mais, essa comparação não deixa de ser superficial, pois as semelhanças entre Merida e qualquer princesa Disney começa e termina no fato de pertencerem a realeza medieval, e é nela que a história é focada.

A protagonista é apaixonante. Com um espírito livre e selvagem, como bem demonstra seus impressionantes cabelos vermelhos passa longe de qualquer princesinha que já tenhamos visto em outros desenhos. Muito mais moleca do que seria permitido a uma moça pertencente à realeza, Merida luta contra a pressão que sofre da mãe, a rainha Elinor, para ser uma princesa delicada. Divertida e lindíssima, a ruivinha encanta desde a primeira cena, quando ainda criança (adorável!) ganha seu primeiro arco do pai.

Os três irmãos pestinhas de Merida
O humor de Valente não é apelativo como alguns trailers deram a entender, mas é leve e genuinamente engraçado, e deve fazer adultos rirem tanto quanto crianças. A caçada de Fergus e dos homens dos clãs a um urso dentro do castelo é hilária, assim como quase todas as cenas que o rei aparece. Outra personagem naturalmente cômica é a bruxa, uma prima distante da Yubaba de A Viagem de Chiriro.

Os cabelos de fogo de Merida, produzidos com muita dedicação pelos artistas da Pixar, são apenas uma das características definidoras de personalidade que permeiam o filme. A mãe de Merida rígida e disciplinada, em oposição à filha, mantém os longos cabelos compridos, que já possuem a sobriedade da cor castanha, devidamente amarrados. O design do imenso rei Fergus também representa seu lado de grande e assustador guerreiro, mas também seus cabelos ruivos desgrenhados como os da filha e os bigodes erguidos no formato de um sorriso também indicam seu lado brincalhão. O figurino dos personagens também foram devidamente estudados e produzidos, como as várias peças de roupas usadas pelos personagens (o que faz sentido, afinal a Escócia tem um clima muito frio) e o famoso kilt escocês, que assim como os cabelos de Merida, ganham movimentos próprios. Mas o grande apelo visual realmente são as paisagens escocesas reconstruídas e o resultado é um dos cenários mais lindos já vistos em animações.


Infelizmente o filme não passa sem algumas falhas. As duas canções cantadas pela protagonista inseridas no filme não funcionam e são totalmente desnecessárias, chegando a atrapalhar momentos que seriam muito melhor executados somente com a trilha instrumental. Desnecessária também é a narração inicial e final de Merida que serve somente para nos reiterar aquilo que já estamos vendo e evocar uma temática grandiosa que a história não sustenta. Pois o filme não trata de uma aventura ambiciosa, mas de uma discussão valores centrando-se nos problemas pessoais da própria Merida.

Em qualquer outro estúdio, Valente seria excepcional, mas dentro da Pixar a animação acaba ficando à sombra de tantas obras-primas produzidas pela empresa, como Toy Story 3, Wall-E, UP – Altas Aventuras. De fato, falta-lhe mais densidade emocional, tão exploradas nos sucessos anteriores, pois quando tem essa oportunidade o filme opta por permanecer soando leve e engraçado. Não é uma falha, é uma escolha, mas uma escolha que não estamos acostumados a ver em filmes da Pixar.

Antes do filme, como de praxe, somos apresentados a um belo curta-metragem da Pixar, La Luna. Conectado ao próprio longa-metragem que acompanhamos em seguida, com caracterização dos personagens de acordo com detalhes físicos, a história é bem desenvolvida e apresenta um surpreendente final.

OBS: Há uma cena pós-créditos que vale a pena e, como costuma ocorrer nos filmes da Disney, ela só aparece depois de todos (todos mesmo!) os créditos. E se o projecionista da sua sala apagar a tela antes da cena, faça como eu e irrite ele até ligar novamente.

OBS 2: A dublagem do filme não é ruim, mas o filme merece ser visto em seu áudio original. Principalmente por causa das vozes originais pertencerem a atores britânicos, com o charmoso sotaque escocês.

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