14 de jul de 2012

Crítica: Na Estrada

Posted by Natália Lins On 19:57 0 comentários



O longa Na Estrada, adaptação da aclamada obra literária, On the Road, do escritor americano Jack Kerouac, foi aguardada durante muito tempo e finalmente chegou ao cinema. Retratando o movimento beat que ocorreu no final dos anos 1950 e início dos anos 1960, em que muitos escritores e poetas americanos viveram como nômades, vagando pelo país ou até para fora dele em busca de novas histórias que lhes inspirassem. O consumo desenfreado de álcool, maconha e outras substâncias era natural entre esses artistas, assim como o sexo liberal, sem pudores e limites.

A primeira sensação que tive ao terminar de assisti-lo foi a de que deveria ter lido o livro anteriormente. Isso aconteceu porque o cineasta pareceu transpor para a tela uma sensação literária, tentou aproximar ao máximo a experiência descrita na publicação, considerado uma obra-prima da literatura norte-americana.

Escrito pelo porto-riquenho Jose Rivera e dirigido pelo brasileiro Walter Salles, ambos já trabalharam juntos em Diários de Motocicleta, o roteiro acompanha o perambulante Sal Paradise (Sam Riley), que em 1947 deixa o lar para viajar em busca de experiências que o ajudem a escrever seu tão sonhado livro. Através do amigo Carlo Marx (Tom Sturridge) conhece o impulsivo Dean Moriarty (Garret Hedlund), e sua mulher Marylou (Kristen Stewart), que apresenta a Sal um mundo cheio de riscos e paixões, onde se faz o que se tem vontade e não o que lhe dizem que deve ser feito.



Nessa viagem sem destino algum, ambos cruzam com muitos personagens. Muitos mesmo. Determinadas vezes parece existir um excesso de personagens e pequenos acontecimentos que provavelmente fazem mais sentido no livro, pois ficaram um tanto apagados na película. Figuras marcantes também surgem na tela mesmo com tempo diminuto, como o escritor Old Bull Lee (Viggo Mortensen) e sua esposa Jane (Amy Adams). Uma pequena aparição da humilde Terry (Alice Braga) é um pouco mais presente, assim como a sofrida e bela Camille (Kirsten Dunst). 


A narrativa do filme não segue a fórmula tradicional de atos ou reviravoltas que conduzem a um final coerente ou premeditado e sim como uma viagem, não remete a uma linearidade e cabe ao espectador preencher as lacunas da história. Com um tom muito realista, aliás, ótimo trabalho realizado por Eric Gautier que também trabalhou em Diários de Motocicleta, os cenários são diversos e marcantes, desde poeira e muito sol até neve, pontes e construções imponentes. A sequência de abertura já introduz o espectador na árdua caminhada de Sal pelas estradas, pedindo carona para desconhecidos trabalhadores rurais que também buscam por melhores condições de vida.

O diretor de arte Carlos Conti fez uma recriação simples e perfeita nos figurinos, com cores apagadas e estilo despreocupado. A equipe é uma verdadeira mistura de origens: o compositor responsável pela trilha sonora é o argentino Gustavo Santaolalla, que encheu a trilha com o bom e velho jazz. O gênero predomina durante a trama, juntamente com o blues.


É visível a entrega do elenco para seus personagens, de forma natural e expressiva em cenas consideradas muitas vezes difíceis, que envolvem sexo e uso de drogas. Garret Hedlund teve uma performance incrível. Um personagem que mesmo quebrando barreiras morais foi capaz de conquistar o público, com um grande conflito interno, ao mesmo tempo em que queria desfrutar de todo o prazer que a vida tinha a lhe oferecer, também queria cumprir com suas obrigações de pai e esposo.

Salles realizou um grande feito: conseguiu fazer com que Kristen Stewart se livrasse da sua terrível expressão de boca entreaberta (isso é um marco na carreira da atriz). Finalmente esse personagem permitiu que ela não recebesse nenhum tipo de comparação com os outros trabalhos já realizados pela atriz. Apesar de não ter muitas falas ela provou que consegue sim, fazer outras coisas que não remetam à série Crepúsculo.



Porém, em determinado momento o filme parece começar a se arrastar, se tornando um tanto cansativo. Isso se deve às rotinas repetitivas vividas pelos personagens principais, que continuam vivendo as mesmas experiências, com mudanças apenas geográficas.

É um filme para ver com a mente e o coração abertos, onde para ser feliz basta ser livre, sem repressões ou limitações. Fazer o que realmente gosta, sem se importar com o que o restante da sociedade irá pensar, mesmo que isso signifique ser considerado insano ou infrator.




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