9 de jun de 2012

Era uma vez: O Pistoleiro - A Torre Negra

Posted by Aline Guevara On 15:23 0 comentários

O homem de preto fugia pelo deserto e o pistoleiro ia atrás.


Foi a partir dessa ideia, um pistoleiro no deserto perseguindo um misterioso homem vestido de negro, que o famoso escritor norte-americano Stephen King deu início ao que seria uma saga épica, com uma trama incrível e personagens maravilhosos. Se Tolkien escreveu O Senhor dos Anéis e Rowling escreveu Harry Potter, King escreveu A Torre Negra.

O primeiro volume dessa série de sete livros é O Pistoleiro – A Torre Negra – Vol. 1. Lançado primeiramente na The Magazine of Fantasy & Science Fiction, que publicou os cinco capítulos do livro entre 1978 e 1981, a primeira edição completa do volume saiu em 1982. A história, baseada no poema de Robert Browning "Childe Roland à Torre Negra Chegou" (1855), demorou 22 anos para ficar pronta.

A forma como King conta a história é fantástica. Em nenhum momento ele subestima o leitor e temos que tentar compreender a trama com o pouco que nos é dado de informação. Inicia a história como a começou em sua cabeça, com Roland Deschain, o último pistoleiro vindo da outrora rica cidade de Gilead, perseguindo o Homem de Preto. Não somos apresentados ao protagonista, não sabemos quais são suas motivações, o que fez para chegar até ali. A única coisa que percebemos logo de início é que ele usa todas as suas forças para completar seu objetivo.

Aos poucos, vamos descobrindo que o solitário pistoleiro busca na verdade a Torre Negra, um lugar mítico que controla tudo, e sabe que o Homem de Preto é a chave para encontrá-la. E ele fará absolutamente tudo para conseguir chegar a ela. Ele tem um motivo. O Mundo Médio, mundo do pistoleiro, vem se auto destruindo, se deteriorando. Ele “seguiu adiante”, segundo os personagens e ninguém sabe exatamente como, exceto que em breve, não restará mais nada. O único modo de impedir a extinção de tudo que existe, é a Torre.


É interessante perceber que apesar de muita de ser um mundo diferente, onde tudo está se perdendo, tudo estar sendo relegado ao esquecimento, algumas coisas permanecem, como quando o pianista do bar toca “Hey Jude” para os bêbados frequentadores do lugar. Nada de Beatles, nada de Paul McCartney, só a melodia.

Roland não é um herói comum, pelo contrário. Ele é complexo e introspectivo, o que torna ainda mais difícil para o leitor entender o que se passa pela cabeça do pistoleiro. Justamente por isso é tão fascinante. Como pistoleiro, ele segue um código de honra e conduta que se aproxima das ordens de cavaleiros medievais, mas como último de sua linhagem em um mundo apocalíptico, ele sabe que terá que tomar escolhas difíceis se quiser completar sua missão.

Ainda que o começo do livro possa soar confuso e arrastado pela falta de explicações e diálogos, uma vez que Roland está frequentemente sozinho, vale a pena o esforço para terminá-lo. O final é arrebatador e traz consequências para o restante da série. Relativamente curto em relação aos volumes seguintes, apenas 220 páginas, O Pistoleiro traz uma bela introdução da história grandiosa de King.

Apesar de ter anunciado o final da trama após o lançamento do sétimo livro da série, A Torre Negra, King quer lançar um oitavo livro, intitulado The Dark Tower: The Wind Through the Keyhole (tradução livre, A Torre Negra: O Vento Através do Buraco da Fechadura). O volume está previsto para ser lançado em 2012 e seria um adendo, inserido entre o quarto e o quinto livros, contando o que ocorreu com Roland e seus companheiros antes de chegar à cidade de Calla.

Os fãs pedem e os estúdios querem, mas apesar de todas as discussões para levar a série para o cinema, o processo ainda está longe de se resolver. Em 2010, a Universal Pictures e o canal de televisão NBC fecharam uma parceria para desenvolver uma trilogia de filmes e mais uma série de televisão para adaptar toda a história dos livros. Com diretor (Ron Howard, de Uma Mente Brilhante e Código Da Vinci) e ator protagonista (Javier Bardem) contratados, parecia que o projeto finalmente ia sair do papel. Mas devido ao alto custo, que não sairia por menos de US$ 200 milhões, mais uma vez a ideia foi abandonada.

Mas independente do projeto no cinema e na televisão ser bem sucedido, King desenvolveu sua saga nos livros com maestria. Depois de ler a série, o termo “pistoleiro” nunca mais soa indiferente.

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