16 de jun de 2012

Crítica: Prometheus

Posted by Bueno Neto On 18:36 0 comentários


O nome da nave Prometheus remete ao Titã da mitologia grega de mesmo nome que subiu ao Monte Olimpo, roubou o fogo que era exclusivo dos deuses e entregou aos homens, tornando-os mais próximos daqueles seres. O filme  bebe tanto desta história que em certo ponto se torna previsível e compromete até a originalidade do diretor Ridley Scott, deixando tantas questões em aberto que seria necessário um segundo filme para saná-las, o que provavelmente é o objetivo, mas duvido que James Cameron vá salvar a franquia. 


A trama segue um grupo de pesquisadores que descobriram que seres alienígenas que podem ter gerado a vida na Terra deixaram um “convite” para os povos antigos, chamando-os a um planeta distante. A curiosidade e a fé de um casal de pesquisadores consegue chamar a atenção de um grupo coorporativo que financia a empreitada. 

A premissa é ambiciosa: mostrar a origem da Terra e dos seres humanos, quem nos criou e porque, de forma literal (como a primeira cena, que mostra o Engenheiro tomando uma substância) e metafórico, pois pode aludir a eventos muito mais grandiosos, como o próprio Big Bang. 

O personagem mais interessante é justamente aquele que não é humano: o robô David (Michael Fassbender, mais uma vez com excelente atuação). Desde o começo, mostra que idolatra o filme Lawrence da Arábia, imitando os cabelos e trejeitos de falar. Também mostra que é constantemente humilhado pelos humanos e tem total consciência disso: o “pai” dele afirma que ele seria um ótimo filho, caso possuísse alma. Em uma cena com um dos pesquisadores, discutindo sobre os Engenheiros e por que criariam vida. Ao questionar o pesquisador de porque os humanos criaram os robôs, ele responde “porque podíamos” e David questiona se, ao encontrar aqueles que fizeram os humanos, o pesquisador não se sentiria desapontado se esta fosse a resposta dada. Eis então que David parece querer fazer os próprios experimentos de criação de vida, talvez justamente por poder fazê-los. 

Outra personagem interessante é Elizabeth Shaw (Noomi Rapace), que não deixa a fé em algo de lado mesmo quando todas as crenças e lealdades desmoronam a seu redor e o instinto de sobrevivência e a busca por respostas falam mais alto, levando-a a confiar em alguém que foi responsável por todas as mortes do filme. 

O roteiro é cheio de furos, que não abordarei diretamente para não encher esse texto de spoilers, mas a maior falha é deixar milhões de dúvidas em aberto e criar tantas outras com a clara intenção de explorar a série e estabelecer uma franquia, com mais continuações megalomaníacas. Talvez os produtores tenham se inspirado no próprio Alien: um parasita que precisa passar por vários estágios até ser criado (quatro neste filme), a série precisaria de diversos filmes para ter um todo indestrutível e inabalável. Mesmo que não esteja vendida como um prelúdio de Alien, encontramos toda a origem do alien em Prometheus, que para mim foi a cena mais emocionante do filme. 

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