3 de mai de 2012

Era uma vez: Millenium - A Rainha do Castelo de Ar

Posted by Thaís Colacino On 14:59 0 comentários

O último livro da trilogia Millenium começa exatamente onde o segundo parou: Lisbeth vai para o hospital e quando melhorar será presa por homicídio e tentativa de homícidio. Devido à comoção geral do caso, ela terá um julgamento e os preparativos deste tomam boa parte do livro. Mas, claro, há algo que pode impedir nossa anti-heroína de se safar da prisão e é nada mais nada menos que uma parte da inteligência governamental. O porquê do interesse deles no caso dela você descobre lendo o livro.

Stieg Larsson utiliza o último capítulo para mostrar outras formas de violência contra as mulheres. Enquanto o primeiro mostrava homens que matavam por acharem que mulheres não fazem falta a ninguém e se consideram superiores, o segundo mostrou aqueles que traficam porque acham que elas são objetos. Já o terceiro traz outros tipos de misóginos: os que passam informações errôneas porque acham o comportamento homossexual, ainda mais entre duas garotas, inaceitável; os que estupram porque acham que elas são frágeis, não podem se defender e acham ter o direito de se satisfazer, mesmo que elas não queiram; aqueles que abusam e batem porque a mulher não reclama; aqueles que chantageiam porque foram rejeitados; e aqueles que acreditam em tudo o que leem simplesmente porque o senso comum autoriza a julgar alguém pela aparência.

O caso de Lisbeth também chama a atenção da mídia, que cai em cima dela pela aparência "exótica" da garota. A mídia cede a pressão das vendas e publica cada vez mais difamações contra nossa pobre anti-heroína, que não se defende (seria uma estratégia, ou seria parte da atitude “dane-se o mundo”?). Esse foi um modo de Larsson criticar a própria classe, algo que ele sempre fez na realidade, e que toma vazão literária na forma de Blomkvist, claro, já que o jornalista parece ser o alter ego de Larsson.

Com um final satisfatório, mas com gostinho de que os outros livros planejados pelo falecido autor seriam muitíssimo bem-vindos, a trilogia Millenium entra para o rol dos romances policiais que, como as histórias de Sherlock Holmes, de Conan Doyle, e de Hercule Poirot, de Agatha Christie, tem elementos que o tornam clássico e viverá por anos no imaginário popular, principalmente por seus protagonistas. Lisbeth é, assim como os outros dois personagens citados, uma figura de sua era: não pertence a um lugar, anônima e que tem vida principalmente online. Talvez ela seja, portanto, a heroína que mais represente a atual geração.

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