24 de abr de 2012

Das Prateleiras: Era Uma Vez

Posted by Fátima Leite On 21:39 0 comentários


Um filme cujo nome é clichê, mas de clichê nada tem. Assuntos já abordados em outros filmes, como a desigualdade social e o peso de suas consequências favorecendo apenas um lado, as drogas, os preconceitos são a base deste, porém com uma intensidade que se destaca dos demais.

O diretor Breno Silveira, em uma grandiosa dimensão, consegue transformar esse filme em uma mensagem realista da vida na sociedade. Permite ao expectador chegar tão perto da realidade dura vivida por aqueles que são desfavorecidos socialmente, que parece transportar o sofrimento dos personagens para quem está assistindo, de forma a fazê-los sentir o peso do desamparo.

Era Uma Vez conta a história de dois jovens, Dé (Thiago Martins) e Nina (Vitória Frate), que se conhecem, se apaixonam e basicamente têm suas vidas marcadas pelo preconceito que enfrentam por pertencerem a classes sociais diferentes e quererem ficar juntos. O rapaz mora desde que nasceu na favela do Cantagalo, no Rio de Janeiro, e a garota, filha única e rica, mora em Ipanema cercada pelos cuidados do pai, por quem é criada.


Desde a infância Dé luta por tentar viver honestamente, mas, além do preconceito, sofre todo o impacto de uma vida violenta. Quando criança, vê seu irmão Beto ser assassinado por traficantes e posteriormente o seu irmão mais velho Carlão, que tanto admira por sua honestidade, ser preso em uma arrastão por ser confundido com marginais. É a dura realidade de quem mora na favela, conviver com crime e violência e ter que superar as dificuldades a todo instante. Com todos os problemas que enfrenta, ainda assim segue os conselhos de sua mãe Bernadete, que trabalha como empregada doméstica para oferecer o melhor que puder.

Quando conhece Nina sua vida se transforma, a carga tão pesada que leva passa a ser aliviada por uma grande paixão e as emoções vividas pelos dois.

O longa, que parece seguir na trilha do convencional, faz uma reviravolta e é onde alcança a qualidade de roteiro, porque torna o que é previsível surpreendente e instigante. Assim como a fotografia e as atuações excelentes, todo o desfecho de Era Uma Vez parece ser programado minuciosamente para ser daquele jeito e com êxito alcança a atenção. No final, uma mensagem que nos faz parar para refletir.

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