15 de mar de 2012

Era Uma Vez: Jogos Vorazes

Posted by Thaís Colacino On 17:56 0 comentários

Nas ruínas do que um dia foi a América do Norte, um novo país existe: Panem, separado em 12 distritos e na Capital, onde situa-se o Poder. Panem tem um evento que envolve somente os distritos: todos os anos eles sorteiam um garoto e uma garota, com idades de 12 a 18 anos, para entrarem em uma arena cuidadosamente criada e se matarem, até restar um. Ah, sim, isso é um grande reality show.

Mas por que diabos fazem esse "evento"? Há 74 anos, os distritos, que eram 13, se rebelaram contra a Capital. Mas o local privilegiado e cercado de montanhas impediu o avanço dos rebeldes e a Capital saiu vitoriosa e o distrito 13 foi eliminado. Para lembrar a todos o poder da Capital, os Jogos Vorazes foram criados. Não bastasse a crueldade da coisa toda, os possíveis tributos, como são chamados os escolhidos, têm que vestir-se e comportar-se como se fosse um evento de gala. 

Ambientando o cenário, somos apresentados ao distrito 12, local onde Katniss Everdeen mora. Ela perdeu o pai em uma explosão e desde então toma conta da família, caçando o que elas comerem. Sim, caçando. Porque os distritos passam fome. Mas caçar não seria proibido então? E é. Mas como a própria Katniss diz, entre morrer de fome e executada, uma bala é mais rápido. Então, todos os dias ela caça com o amigo Gale nas florestas fora do limite do distrito, que tem uma cerca eletrificada, mas a eletricidade é escassa.

E eis o novo porém dos jogos vorazes: se o adolescente colocar o nome outra vez no sorteio, aumentando assim as chances de ir para o jogo, ganha uma porção extra de grãos. Como eles estão morrendo de fome, muitos fazem isso. No dia da colheita (o sorteio), a irmã mais nova da Kat é escolhida, mas Kat toma seu lugar.

Assim, somos apresentados à Capital: um local de excessos e futilidade, onde todos querem estar na moda e comem muito, pois há abundância e muitos restos. Lá os tributos têm que treinar por um período e fazer apresentações para o público. Afinal, é um reality show, e como tal, não pode ser tedioso. Os tributos então têm estilistas para chamar a atenção de possíveis patrocinadores, que podem enviar dádivas para os tributos quando estiverem na arena, que pode ajudá-los a sobreviver. E quando não ocorrer mortes, bem, há sempre a possibilidade de uma parede de fogo aparecer do nada e botar todos para correr e se encontrar para uma chacina.

Isso é só um vislumbre da história de Jogos Vorazes. Assim como no trailer, contar as estratégias usadas ou qualquer coisa do jogo estragaria surpresas. O livro de Suzanne Collins é fácil de ler, difícil de largar e tem a escrita no presente. Não é alguém contando ou lembrando, é o que está acontecendo no momento em que acontece.

Os personagens são carismáticos, mesmo alguns que são misteriosos, como Cinna, estilista de Katniss, e Haymitch, mentor e único ganhador do distrito 12 ainda vivo, que é melhor trabalhado nos outros livros. Katniss é uma líder, mesmo sem saber disso, e Peeta, o outro tributo escolhido do 12, tem o dom das palavras que falta a Katniss e um espírito bom que provavelmente o matará em segundos.

Outro aspecto interessante é a tecnologia da Capital. Os sortudos que lá moram podem fazer todo tipo de alteração corporal (até tingimento de pele), alguns animais são geneticamente modificados (e há uma surpresa perto do fim do livro com eles) e as arenas tem o clima que os Idealizadores dos Jogos desejam. O sol pode ficar mais forte, o frio pode matar, e a mudança pode ser feita gradativa ou imediatamente. Além disso, há os desafios que os tributos encontram. O importante é entreter a Capital e manter esses avanços longe dos distritos, que precisam continuar submissos.

E o tordo, símbolo do livro? O tordo é um bestante. Bestante são animais geneticamente modificados pela Capital. O tordo repetia palavras que ouvia, assim a Capital sabia o que os rebeldes planejavam. Até eles descobrirem e usarem isso contra a Capital, que liberou todos para que morressem. Mas eles sobreviveram. A importância do símbolo? Só lendo para descobrir.

Falta uma semana para que os Jogos Vorazes entrem no cinema. E em uma semana dá tempo de ler a trilogia criada por Suzanne Collins (eu li cada livro em um dia). É apaixonante.

(PS: Se verem em lugares Team Peeta, Team Gale, ignorem. Jogos Vorazes não é romance e não é crepúsculo. Nem sabemos se eles estarão vivos!)

Que a sorte esteja sempre a seu favor!

Battle Royale X Jogos Vorazes

Antes de ler eu também fiz a comparação com o mangá Battle Royale. Afinal, são adolescentes se matando em um reality show de um país repressivo. Collins pode ter (e provavelmente foi) inspirada pela história de Koushun Takami, mas também ter pego referências da França (Versailles, Revolução Francesa), Itália (Roma, Gladiadores [está é certa, olha o nome do país!]) e, porque não, dos dias atuais, afinal, não sabemos de algum continente que está passando fome e as pessoas se matam enquanto outros se importam com a vida alheia, aparência e o que tem pra comer?

Para quem não conhece, a história resumida de Battle Royale: em um país asiático, no futuro, os jovens tornaram-se rebeldes demais, devido a situação do país, que tem alto índice de desemprego e economia decrescente. Para contê-los, o governo cria o ATO  BR, que consiste em sortear uma sala do segundo ano do colegial, colocá-los em uma ilha e se matarem, sobrando um.  A sala não sabe que é sorteada até estar na ilha (acompanhamos alunos que estavam em um ônibus e todos começam a dormir).

Bom, vamos as diferenças: em Battle Royale (BR), assim que O Programa começa, os alunos têm um dia para começarem a matança, ou todos morrem. Eles tem dispositvos que parecem coleiras no pescoço, que tem um rastreador, microfone e escuta, e pode explodir por diversos motivos: tentar sair da ilha, estar em local proibido ou se recusar a matar em um dia. Se isso significa não ter um vencedor, que seja, pelo menos os jovens aprenderam uma lição.

 Em Jogos Vorazes (JV), precisa ter um vencedor. A Capital precisa ser entretida e os vitoriosos dos Jogos são um exemplo vivo. Como vemos outros vitoriosos nos outros livros, percebemos que a vida deles, além dos traumas do que viram e fizeram, vira um inferno nas mãos da Capital, que controla o que fazem, mesmo fora da arena.

Em BR, os alunos recebem uma bolsa com armas e um pouco de suprimentos, e são liberados da sala um a um para a ilha e começar a matança. Em JV, eles vão sem nada para a arena, chegando ao mesmo tempo, um de cara para o outro, de frente para um local cheio de armas e comida. Eles precisam lutar para conseguir o que precisam (o que invariavelmente mata quase metade nos primeiros minutos).

Mas a principal diferença entre os dois é que BR trabalha intensamente com os personagens dentro da arena. Conhecemos o passado de cada um dos mais de 40 alunos, como era a vida deles, paixões e medos, e vemos a morte de cada um. Sabemos quais tem tendências psicóticas e porque, aqueles que são considerados bons e maus e, em alguns casos, o que está acontecendo com quem espera que eles saiam vivos. Em JV, o jogo é somente uma parte de algo maior que é trabalhado depois, não há desenvolvimento dos todos os participantes, alguns até não sabemos o nome.

Independente se alguma dessas obras é superior que a outra, vale a pena conhecer ambas. Battle Royale teve o mangá publicado pela Conrad no Brasil e dois filmes live-action, e Jogos Vorazes tem a trilogia literária e a cinematográfica.

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