29 de jun de 2013

Crítica: Guerra Mundial Z

Posted by Bueno Neto On 07:16 0 comentários


Em 1968 o diretor George A. Romero lançou seu filme A Noite dos Mortos Vivos ("Night of the Living Dead") e foi nessa obra que surgiram as "regras" seguidas por todos os filmes de zumbis. Claro, havia muitas diferenças dos atuais filmes de mortos-vivos, havia limitações tecnológicas e artísticas, os zumbis eram lentos e podia-se até andar entre eles, as maquiagens pesadas e artesanais davam os aspectos de morte aos cadáveres que andam e repúdio às lancinantes mordidas que deixavam em suas vitimas que lentamente iam tornando-se zumbis.

Romero fez mais de seus filmes dos mortos e seguia sempre suas regras. Todos que eram mordidos se tornavam zumbis, o único modo de matá-los era com tiro na cabeça, e acima de tudo seus filmes serviam de metáfora ao nosso próprio mundo, sempre refletindo o momento social e político da época em que seus filmes foram lançados. Alguns temas eram fortes que são atemporais e servem de meta-linguística para os dias de hoje.

Graças ao talento de Romero toda uma geração de filmes foi lançada usando suas regras, e em Guerra Mundial Z é possível dizer que seu exemplo foi seguido, porém só em sua essência. O filme tentou criar seu próprio caminho e tentou reinventar conceitos. Toda essa renovação trouxe muitos aspectos positivos, alguns negativos  e com certeza se diferenciou dos antigos filmes de zumbis. Em meio a seus pontos bons e ruins podemos ver que de Romero, Guerra Mundial Z não pegou só suas regrinhas para matar zumbis, mas também a ideia de ser a metáfora social seguiu viva (ou morta viva).

Na trama uma misteriosa doença se espalha pelo mundo, transformando as pessoas em zumbis. A velocidade do contágio é impressionante e logo o governo americano recruta um ex-investigador da ONU Gerry Lane (Brad Pitt), para descobrir o que pode estar acontecendo. Gerry abandonou a ONU para se dedicar a sua família, mas para manter sua esposa e filhas a salvo do contágio no porta aviões do exército, ele precisa aceitar a missão. Agora, ele tem que  percorrer o caminho inverso da contaminação para tentar entender as causas ou, ao menos, identificar uma maneira de conter o contágio até que se descubra uma cura antes do apocalipse.

Mesmo que o conceito de mundo pós-apocalítico zumbi já tenha sido explorado em outros filmes e séries, Guerra Mundial Z se destaca por mostrar um cenário mundial como seu título informa. Podemos ter vislumbres de como alguns países tentaram conter contágio ou como sofreram com ele. A dinâmica narrativa utilizada para nos mostrar isso foi excelente, começando de um pequeno universo de um núcleo familiar e aos poucos ampliando o cenário, e da angústia e preocupação da família sobreviver passamos para o cataclisma se abatendo na cidade, logo o país dominado e o estado dos outros países. 

O filme soubefazer sentir boas doses de emoções em várias cenas, principalmente em seu primeiro arco narrativo. Somos acometidos pela sensação de urgência que o momento carrega, e até mesmo desorientação, já que nesse primeiro momento de correria não se consegue diferenciar os infectados atacando a esmo de simples pessoas correndo para salvar suas vidas. Infelizmente, a emoção que faltou foi terror devido a decisão dos produtores de pegar censura 13 anos, pois o filme sacrifica as cenas mais intensas de medo, evitando mostrar uma maior violência ou mesmo sangue.

Mas se o terror clássico foi sacrificado, sobra suspense e horror de sobrevivência, e o que falta a câmera mostrar friamente, sobra em subentendidos e muita correria. 

Brad Pitt está carismático em seu personagem e mesmo que por muito tempo ele se torne o principal foco do filme, não o torna cansativo. Nem mesmo os habituais clichês de filmes de zumbis podem ser vistos como falhas; alguns deles até fariam falta se não aparecessem. As cenas de computação gráficas surpreenderam principalmente porque nos trailers os zumbis de CG pareciam muito falsos e no filme pronto estão realistas e medonhos.

Resumindo Guerra Mundial Z é muito divertido, sabe manter o pique e interesse mesmo se dispersando e sendo levado a diversos locais do mundo. O filme consegue mostrar bem o raciocínio de Pitt e, apesar de não ser um horror tão descarado, mantém o clima de suspense e sobrevivência que não vemos há um tempo nos cinemas.

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