21 de jan de 2013

Crítica: Django Livre

Posted by Natália Lins On 01:45 1 comentários







O grande mestre Quentin Tarantino marcou seu nome na história do cinema por recriar a linguagem narrativa cinematográfica contada de forma não linear e desenvolver sabiamente diversos personagens em um único filme. Após o extraordinário longa Bastardos Inglórios (2009), o diretor está de volta com mais uma produção polêmica: Django Livre

Assim como a maioria de suas obras, a vingança também está presente em Django, mas ainda assim como o humor inteligente e o romantismo a sua maneira. O filme é uma homenagem ao western Django, de Sergio Corbucci, de 1966, onde o ator Franco Nero – que aqui faz uma pequena participação – deu vida ao forasteiro Django, que sai em busca de vingança pelo homicídio de sua mulher. A produção de Tarantino conta a trama de um escravo cujo nome também é Django Freeman (Jamie Foxx), que com todas as violentas experiências vividas por conta da cor de sua pele, acaba encontrando um caçador de recompensas alemão Dr. King Schultz (Christoph Waltz). 



Em uma busca desenfreada pelos irmãos assassinos Brittle, Dr. Schultz encontra em Django a oportunidade que tanto buscou, pois os conhecia e mal sabia que o escravo tinha mais motivos para matá-los do que ele próprio. Juntos durante o inverno numa caçada contra mal-feitores e senhores de escravos, se tornam parceiros, e Django, agora livre, aprende a utilizar armas e se portar distintamente perante a sociedade. As motivações do personagem principal giram em torno da busca por sua amada esposa de quem foi brutalmente separado há alguns anos, a escrava Broomhilda (Kerry Washington). Porém, ela se tornou posse de Ivin Candie (Leonardo DiCaprio), dono das terras Candyland, onde escravos eram treinados para lutar com o intuito de entreter seu senhor. 



Pela primeira vez Tarantino faz grandes tomadas abertas mostrando belos cenários, com paisagens exuberantes, com direito a campos e montanhas. Ele também utiliza a câmera lenta em diversos momentos e optou por usar mais frases de efeito com diálogos não tão longos como os de costume. Quem assina a montagem é Fred Raskin, que já havia sido editor assistente em Kill Bill. Em Django ele realiza um ótimo trabalho, levando o espectador para planos diferentes em uma sequência inteligente e organizada. 

Mesmo com um elenco muito bem selecionado, que deram vida a personagens intensos e marcantes, com interpretações impecáveis, é impossível não dar o devido mérito para Christoph Waltz. Interpretando um personagem excêntrico, ele conquista mais uma vez o público. Astuto e articulado, rouba as cenas assim que surge na tela e é responsável pelo viés cômico do filme. Leonardo DiCaprio, como o cruel senhor de escravos também realizou uma excelente performance, com muita expressão no olhar e responsável pelos momentos mais tensos do filme, nos fazendo esquecer Titanic por completo. 



Tarantino, com seu gosto peculiar para música, faz questão de transferi-la para suas produções. Inserindo o hip hop e o rei do soul, James Brown, conseguiu um resultado anacrônico interessante, criando uma forte referência para o gosto musical dos negros americanos. 

Django traz a tona cenas fortes e que chocam o público pela crueldade, mas tudo isso remete a reflexão sobre o tema: como um ser humano é capaz de tratar de forma tão inescrupulosa outro ser igual a ele apenas por suas peles serem de cores diferentes? E o pior é pensar que tudo aquilo escancarado na tela aconteceu realmente. A película não apela para o sentimentalismo ou para o drama excessivo e, apesar de suas 2h40, é capaz de prender a atenção do espectador. 



Vencedor de dois Globos de Ouro (Melhor Roteiro e Melhor Ator Coadjuvante para Christoph Waltz), Django Livre recebeu cinco indicações ao Oscar: Melhor Filme, Roteiro Original, Fotografia, Edição de Som e Ator Coadjuvante (Christoph Waltz).

Uma pena saber que existem poucos talentos espalhados por aí como o de Quentin Tarantino. Autêntico e inovador, faz a sétima arte ser revigorada a cada dia e compartilha com o público o dom que lhe foi destinado.



1 comentários:

Realmente, um filme muito bom...concordo com td que falou, e adicionaria que tocou "Ain't No Grave" do johnny Cash! rsrsrs

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