21 de dez de 2012

Vs the World: Batman - A Piada Mortal

Posted by Bueno Neto On 12:25 0 comentários


Quando se pensa em histórias em quadrinhos e histórias realmente clássicas, é muito difícil não pensar em Batman, afinal, de todos personagens no estilo escrita de super-heróis, o homem morcego é quem coleciona a maior quantidade de tramas consideradas clássicas, como Batman: Ano um, de Frank Miller, e Uma morte em família, escrita por Jim Starlin. Algumas revolucionaram o modo de como lemos os quadrinhos de super-heróis, é o caso de O cavaleiro das trevas também de Frank Miller e claro Batman: a Piada Mortal do inigualável Alan Moore.

A história não é clássica só porque foi escrita por um nome de peso dos quadrinhos, mas porque trouxe em uma carga dramática realmente impressionante para uma HQ. Dramática, realista, violenta e com fundo psicológico intenso, estabelecendo um vínculo entre Batman e seu nêmeses, o Coringa. E esse laço é criado pela própria loucura e nos é apresentado da forma mais improvável.

Com os excelentes filmes da trilogia de Christopher Nolan encontramos esse Batman realista e dramático e este Coringa  louco e violento. O diretor teve todos os créditos de transportar esse clima para o cinema, mas  foi aqui em 1988 que Alan Moore transformou o personagem que ainda sofria resquícios da humorada e colorida série dos anos 60 neste Batman sombrio. E o vilão, que antes era meramente um palhaço do crime, em um antagonista realmente assustador.  

Na trama seguimos Batman em uma "visita" ao asilo Arkham. Seu intento é nobre: tentar entender seu pior inimigo e fazê-lo perceber que a trilha que ambos se obrigam a seguir, que se colidem de tempos em tempos, acabará inevitavelmente por matar a ambos. Seu discurso segue esse tom, mas se mostra totalmente inútil, pois o Coringa havia escapado na prisão e deixado lá apenas um criminoso comum maquiado como ele.

Diferente do acontecia nas histórias do homem morcego daquela época, em que Coringa apenas assaltava bancos ou fazia armadilhas para Batman, o intento do vilão era muito mais cruel: provar que o que separa um louco de um homem bom e honesto é apenas um dia ruim. Ele escolhe um homem com essas características, o comissário Gordon, e a definição do Coringa para um dia ruim é assustadora.

Ele chega atirando na coluna da filha do comissário Gordon (que em segredo era Bat-girl), na frente de seu pai, manda seus capangas despi-la e em seguida começa a tirar fotos dela, tudo num clima de muita violência que chega dar revolta ao leitor. A história deixa uma dúvida que nunca foi sanada, o fato de ter havido ou não violência sexual.

Batman chega tarde demais no local. O comissário Gordon foi sequestrado, sua filha foi deixada e já recebia os cuidados médicos, mas os indícios eram claros de que ela não voltaria a andar. O comissário Gordon por sua vez é levado às instalações de um circo abandonado, onde é submetido a uma série de torturas cujo único objetivo é enlouquecê-lo, tudo para Coringa provar seu ponto. O ambiente é macabro, cheio de  personagens de pesadelo, e o pior: as fotos de sua filha baleada por todos os lados para lembrá-lo da dor.


Em paralelo com o sofrimento de Gordon temos a história do Coringa contada pela primeira vez. Não sabemos se é a verdade, afinal como Coringa já mencionou outras vezes "Se é pra ter um passado, quero o meu com múltiplas escolhas". Sendo assim, se é verdadeira ou não é um mistério, mas é por causa dela que o vilão tenta provar sua insana teoria. 

Temos então a história de um comediante desempregado e com a esposa grávida, passando por graves problemas econômicos, que recebe o convite para participar de um assalto a uma indústria química. Ele não era um homem ruim e não aceitou a vida de crime, mas se questiona sobre isso. Então veio o dia ruim que mudou tudo: ele recebe a notícia de que sua esposa sofreu um acidente enquanto testava um aquecedor de mamadeiras elétrico. Ela acaba falecendo no hospital. Balançado e, sem rumo, acaba aceitando o convite dos marginais. Tudo dá errado. A polícia e o Batman estão no lugar do crime. O comediante cai num recipiente de lixo tóxico. Com os nervos abalados, consequência da cadeia de eventos trágicos narrados, ele enlouquece em vez de aguentar a dor.

No arco principal, Batman com seus dons de detetive descobre onde Coringa mantém Gordon e parte para o local. Neste encontro temos não só ótimas cenas de ação, mas um final de intenso fundo psicológico na conversa entre Batman e Coringa. O vilão afirma que não há diferença entre sua loucura e a do mundo que o rodeia, e que provou enlouquecendo Gordon.


Batman pela primeira vez chega realmente próximo a matar o Coringa, coisa que o próprio vilão queria para enlouquecer o cavaleiro das trevas, mas Gordon, provando que a teoria de Coringa está errada, mantém sua sanidade e pede a Batman que apenas o prenda.

O que parecia ser o fim ainda guarda o inesperado, a conversa entre Batman e Coringa tem um fundo teor psicológico e traça um paralelo de loucura entre os personagens. Em resumo Batman: A Piada Mortal é pura arte.

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