13 de dez de 2012

Era uma vez: O Hobbit

Posted by Aline Guevara On 16:22 0 comentários

Lançado em 1937, O Hobbit (The Hobbit) é a história que o britânico J. R. R. Tolkien havia feito para os seus filhos. O professor de língua inglesa da Universidade de Oxford jamais imaginaria que esse livro venderia milhões de cópias e iria torná-lo um dos escritores mais influentes do mundo.

Tudo começa com Bilbo, um hobbit muito respeitável que, justamente por isso, não se envolve em qualquer aventura, mas passa a vida tranquilamente em sua Toca, no Condado. No entanto, um dia seu sangue Tûk fala mais alto (culpa do pai aventureiro de sua mãe. Nada respeitável) e o pequenino ser de pés peludos decide aceitar o convite do velho mago Gandalf para partir em uma jornada ao lado de mais 13 anões em uma caçada ao tesouro, que está guardado pelo terrível dragão Smaug.

Saindo às pressas de sua casa para acompanhar os novos companheiros (o pobre Bilbo fica chocado ao perceber que na correria ele deixara para trás os seus lenços!), o hobbit realmente tem  uma aventura fantástica, atravessando o mapa da Terra Média em direção à Montanha Solitária, lar de Smaug. Enquanto eles atravessam florestas, pântanos, rios, montanhas, vão encontrando trolls, orcs, troca-peles, elfos, aranhas gigantes e muitas outras criaturas.

Esse é o primeiro livro que Tolkien escreveu sobre a Terra Média, portanto é a partir dessa história que ele desenvolve toda a extensa mitologia pela qual ficou conhecido nos livros seguintes. O Hobbit parece ser uma história infantil ambientada em um mundo adulto, um mundo que está só começando. Não é a toa que o próximo livro do escritor nesse universo tenha sido tão mais sombrio.


A linguagem que Tolkien usa no livro é completamente diferente da narração de O Senhor dos Anéis. Enquanto a trilogia tem uma linguagem mais densa e complexa (o que reflete o teor da sua história), em O Hobbit a leitura é fluida, leve e engraçada. Ele escreve como se estivesse do seu lado, contando-lhe uma história antes de dormir e faz comentários com o leitor como se partilhasse uma piada interna: 

"Foi bem nesse momento que Bilbo de repente descobriu o ponto fraco de seu plano. É muito provável que vocês já tenham percebido, e estejam rindo dele (...)" 

E tudo ocorre muito rápido. Para se ter uma ideia, no primeiro capítulo o escritor apresenta o Bilbo, o Gandalf, os anões, explicam a aventura e no final dele o hobbit já está saindo para a sua jornada. Quem não gosta das descrições longas de O Senhor dos Anéis não tem o que reclamar com O Hobbit. O que pode explicar um pouco do porquê o diretor Peter Jackson ter material o suficiente para fazer três filmes.

O livro é tão importante para a história literatura fantástica quanto O Senhor dos Anéis, trazendo elementos que seriam tão reproduzidos por outros escritores. É possível enxergar Tolkien em grande parte do acervo recente da literatura de fantasia, porque ele se configura como um dos pilares desse gênero (e na minha opinião, no principal pilar). Ele não criou um mundo fantástico; ele redescobriu a fantasia dando-lhe uma forma majestosa e única. Abriu espaço para que tantos outros viessem depois e pudessem trazer a magia não só à literatura (e ao cinema, e à televisão...), mas também à vida de milhões de leitores.

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