4 de dez de 2012

Das Prateleiras: O Grande Truque

Posted by Thaís Colacino On 22:33 0 comentários



"Você está olhando atentamente?"

Antes de nos maravilhar com Batman - O Cavaleiro das Trevas - já tendo recomeçado a história do morcego nos cinemas - e depois do aclamado Amnésia, o diretor Christopher Nolan trouxe aos cinemas O Grande Truque, excelente filme sobre a rivalidade de dois mágicos interpretados por Christian Bale (o Batman) e Hugh Jackman (o Wolverine).

O filme se passa no final do século 19, quando os iniciantes Alfred (Bale) e Robert (Jackman) ajudavam Milton, o Mágico, com John Cutter (Michael Caine), um dos engenheiros de truques de Milton. Depois de uma mágica com final trágico, a amizade entre os dois morre e eles começam a competir entre si. Eventualmente eles sabotam um ao outro, às vezes causando algum dano físico. Quando Alfred apresenta uma mágica revolucionária, Robert fica obcecado e perigoso, buscando um meio de superá-la.

Em meio a traições, a competição pela melhor mágica invade o âmbito pessoal, com os dois competindo pelo amor de Olivia (Scarlett Johansson), levando Robert até Nikola Tesla (interpretado por ninguém menos que o camaleão David Bowie) que acredita ter tornado o truque de Alfred possível.

Cheio de reviravoltas inteligentes, afinal, trata-se de mágicos acostumados a enganar o público, o filme acaba por enganar os espectadores também, principalmente pela narrativa se dar em flashbacks ou através de diários, com os dois protagonistas alternando a narração e possivelmente escondendo algo importante (o que faz lembrar O Assassinato de Roger Ackroyd, de Agatha Christie).




As atuações de Bale e Jackman são tão boas quanto o filme. Enquanto Bale interpreta um genial e sem carisma Alfred, Jackman faz um Robert frustrado por ser justamente o oposto, o que torna sua obsessão mais crível e sofrida. E como era de se esperar, Caine interpreta uma espécie de mentor um tanto quanto neutro, mas de atitudes questionáveis.






O mágico pega uma coisa comum e a transforma em algo extraordinário. Agora você está procurando pelo segredo... mas você não vai encontrá-lo, porque você não está olhando realmente. Você não quer saber de verdade. Você quer ser enganado. Mas você não vai aplaudir ainda. Porque fazer alguma coisa desaparecer não é o suficiente; precisa trazer de volta. É por isso que todo truque de mágica tem o terceiro ato, a parte mais difícil, a parte que nós chamamos de “O Grande Truque”.


O Grande Truque parece seguir os passos de uma mágica descritos no filme: "A Promessa", apresentação e expectativa de diversão; "A Virada", quando a mágica ocorre e possivelmente algo some, é a distração e "O Grande Truque", pois fazer sumir é fácil, mas voltar à vista é algo extraordinário. E o público não presta atenção porque quer ser enganado, assim como os espectadores. "Você está olhando atentamente?" nos pergunta novamente Alfred. E não, não estamos.

O Grande Truque é um filme fascinante por ser estruturado como um quebra-cabeças, cuja figura só é montada ao final, mas que deixou pistas do todo desde o começo. A história pede para ser revisitada, não somente por ser excelente, mas por aqueles que buscam as migalhas habilmente deixadas pelos roteiristas. E diferente de um truque de mágica, que perde a graça quando esmiuçado e revelado, O Grande Truque mostra-se ainda mais extraordinário.



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