10 de set de 2012

Perdidos no Espaço da TV: Revolution - Primeiras impressões

Posted by Aline Guevara On 19:28 0 comentários



Revolution é uma série com o selo J. J. Abrams (AliasLost, Fringe, Alcatraz) produções, assim como também é produzida pelo criador e roteirista de Supernatural até sua quinta temporada, além de ter tido seu episódio piloto dirigido por Jon Favreau (Homem de Ferro). Difícil um projeto com esses nomes não chamar a atenção. Infelizmente, o novo drama de ficção científica que retrata um mundo sem energia pouco lembra os grandes projetos ligados a essas pessoas e mais parece com a fracassada série Terra Nova, que até tinha uma boa premissa, mas desandou por várias histórias paralelas desinteressantes.

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Com o blecaute nada mais funciona, nem mesmo carros
O episódio piloto começa bem. A cena do blecaute, assim como as atuações de Tim Guinee (Ben Matheson), Elizabeth Mitchell (Rachel Matheson) e Billy Burke (Miles Matheson) estão convincentes. Sabemos que de alguma forma Ben está envolvido no apagão e salva algo em seu pen drive antes de tudo desligar. A série salta então para 15 anos depois, quando os filhos do patriarca Matheson, Charlotte, a “Charlie” (Tracy Spiridakos), e Danny (Graham Rogers) já são adultos e a família mora em uma vila agrícola, uma vez que em um mundo sem energia nem para fabricar alimentos, viver nas cidades não é uma boa opção. A mãe desapareceu, sem maiores explicações exceto “saiu pelo mundo e não regressou”. 

O blecaute provocou várias transformações no mundo, como a queda dos governos estabelecidos e em seu lugar grupos armados dão início a ditaduras. Ao ser atacado pela milícia da auto intitulada República Monroe e ter seu filho Danny sequestrado, Ben pede à filha que encontre o tio, Miles, na cidade de Chicago, pois ele a ajudaria a resgatar seu irmão. E assim começa a jornada da heroína, que no mesmo episódio é atacada por foras da lei, salva e traída por um pretendente a namorado, encontra o tio e o convence a acompanhá-la.

É muita coisa para um episódio só, tudo na série passa rapidamente. Você mal tem tempo de conhecer a vila e como as pessoas vivem ali, e é arrastado para longe dali; os perigos das estradas abandonadas mal são apresentados e já são resolvidos; a cidade, que é indicada no início do piloto como um lugar do qual as pessoas deveriam fugir, nem é mostrada direito e só serve de plano de fundo para a luta de espadas que é desencadeada do encontro com a milícia. Nem conseguimos nos apegar aos personagens. É claro, a série ainda nos sugere conspirações e segredos por trás do grande blecaute, ligados ao pen drive de Ben, mas nem estes parecem muito convincentes ou interessantes. Pelo menos por enquanto.

A fotografia e os cenários da série são bem feitos, apesar de não serem muito aproveitados no episódio. E alguns momentos são bem interessantes, como a queda do avião enquanto o mundo se apaga, ou o flashback de Charlie, lembrando da mãe lhe dando um pote de sorvete para tomar enquanto seu pai lhe diz para apreciar o sabor e guardá-lo na memória, que é bem bonito. 

Um dos maiores problemas da trama é obrigar o público a acreditar nesse mundo em que nenhum tipo de energia é possível. Como assim? Energia pode ser criada a partir de movimento, vento, queda d’água... Nada disso mais gera energia elétrica? Gostaria que tivessem gastado uns minutinhos do episódio para citar esses pontos, porque à primeira vista, essa ideia de mundo sem energia é absurda demais. E em apenas 15 anos as pessoas desistiram da vida confortável que a tecnologia proporcionava para regredirem a um mundo praticamente medieval onde todos usam espadas, arco e flecha e bestas.

Ainda por cima, asérie é repleta de clichês: temos a jovem rebelde que não acredita nos avisos do pai e quer se aventurar inconsequentemente em um mundo que não conhece; o nerd bobão (Zak Orth) nada atlético que entra para o grupo de busca; o vilão caricato (Giancarlo Esposito) que fará qualquer coisa para completar seu objetivo. Já incluíram até interesse amoroso para a protagonista ao melhor estilo Romeu e Julieta.

A protagonista Charlie é uma personagem clichê: de filha rebelde a jovem
aventureira, já deu sinais que vai se envolver romanticamente com o "inimigo"

É difícil dizer se a série será boa ou ruim a partir deste primeiro episódio, afinal ele nos apresentou uma história que é até divertida dentro de seus 43 minutos de exibição, mas muito problemática do ponto de vista de roteiro. E esses problemas só vão aumentar ao longo da temporada se nada for alterado. Resta saber se os produtores e roteiristas de Revolution vão nos apresentar mais do que demonstraram nesse piloto, porque um prolongamento dessa história vai resultar em uma série muito medíocre, para não dizer ruim. 

OBS: Alguém mais ficou chocado com o General Monroe colocando pedras de gelo em seu copo de whisky? Como ele fabrica ou armazena gelo se não há energia? Não sei se aquilo foi uma dica sobre o que a milícia pode guardar em segredo ou se é apenas um equívoco da produção.

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