16 de jul de 2012

Perdidos no Espaço da TV: The Newsroom - Primeiras impressões

Posted by Aline Guevara On 17:46 0 comentários




The Newsroom, nova série da HBO, tem aquele piloto que faz qualquer jornalista, estudante ou simplesmente interessado pela área sentir orgulho. Saída da mente do roteirista Aaron Sorkin, ganhador do Oscar pelo filme A Rede Social, a série vem com a premissa de criticar o jornalismo que vem sendo produzido, especialmente na televisão. Diante de tantos programas sensacionalistas, daqueles que se você espremer sai sangue, é um alívio ver um programa que se preocupa em questionar e mostrar como pode ser um telejornalismo de qualidade.

A verborragia típica de Sorkin está presente na série de forma intensa, tanto na rapidez dos diálogos como no fluxo de informações despejadas para o espectador e, para quem admira o seu trabalho, vale a pena conferir essa sua nova empreitada na televisão.

A série começa com os oito minutos mais interessantes dos últimos tempos da televisão: o jornalista Will McAvoy (Jeff Daniels, excelente) está em um debate em uma Universidade e precisa responder a pergunta de uma estudante de "por que os EUA são o melhor país do mundo". E a resposta é uma das coisas mais geniais e corajosas que já ouvi. A declaração polêmica resulta em férias forçadas para o âncora de um noticiário televisivo e quando ele volta tem que se adaptar a uma nova realidade na empresa. Muitos dos funcionários que trabalhavam com ele estão deixando-o (em parte, fugindo dele) para montar um novo programa e sua ex-namorada, Mackenzie McHale (Emily Mortimer), assume o cargo de produtora executiva do jornal e virá com a intenção de modificá-lo completamente.

A declaração na Universidade e a chegada de Mackenzie (as duas coisas, inclusive, estão atreladas) provocam uma grande mudança no modo de que Will tem apresentar as notícias. Seu jeito “imparcial” e blasé dão lugar àquilo que está mais adequado a sua própria personalidade: crítico em relação a sociedade e politicamente engajado. O jornalismo que passa a apresentar então, longe de ser o frio e falso objetivismo, é repleto de inserções opinativas que deixam claro não só os fatos, mas também a opinião de quem os está transmitindo e, portanto, oferecendo uma visão clara ao telespectador para que possa avaliar de acordo com suas próprias ideias.

Mackenzie, a jornalista idealista
Mas nem tudo são flores em The Newsroom. A série às vezes se perde em suas discussões. Em determinado momento no segundo episódio, Mackenzie explica que no novo formato do jornal os fatos serão o único meio de veicular notícias, dispensando inclusive personagens nas reportagens para que o espectador não tome qualquer partido. É uma visão interessante do mundo jornalístico, mas foi bem esquisito logo mais, no mesmo episódio, a produtora explicar para Sloan (Olivia Munn) que esta havia sido chamada para apresentar por causa de suas pernas. Onde está o discurso jornalístico idealista agora? Utilizar pessoas representando uma determinada situação não pode, mas apresentadora bonitona para atrair telespectador pode?

O relacionamento de Maggie e Jim deve ser desenvolvido
Portanto, as discussões que The Newsroom instiga vão muito além das questões superficiais que permeiam um noticiário. Mas se em sua parte jornalística é série anda bem, não podemos dizer a mesma coisa dos alívios cômicos e relacionamentos amorosos. O primeiro acaba recebendo uma sobrecarga da afetação de Mackenzie, cujo histerismo sem sentido, além da falta de senso, irrita demais. No terceiro episódio, no entanto, vemos uma diminuição nessa característica da personagem e tomara que os próximos episódios permaneçam seguindo essa linha. Já o segundo encontra deficiências no próprio relacionamento entre Will e Mackenzie, que chega a ganhar ares de comédia romântica fraca (é terrível ter que assistir os personagens levando encontros amorosos para o trabalho para provocar ciúmes um no outro). Também é difícil conceber que Jim (John Gallagher Jr.) se apaixone por Maggie (Alison Pill) só por conta do comentário da chefe, mas ao menos esse casal parece ganhar contornos naturais.

Se a série de Sorkin vai pender para a busca de um equilíbrio entre notícias de qualidade e audiência, ou se continuará tentando buscar um jornalismo ideal ainda que nade contra uma maré de anunciantes, é difícil dizer. Acredito que uma interação maior entre Mackenzie, que é idealista, Will, um pouco mais equilibrado, e Don (Thomas Sadoski - ainda aposto no personagem), que tem um lado mais preocupado com a audiência, é o que poderia render o melhor resultado.

O que dá para dizer é que depois de assistir The Newsroom ficamos com muita vontade de assistir o noticiário de McAvoy (para os jornalistas, vontade de TRABALHAR com ele) e, pessoalmente, se tivéssemos um programa semelhante no cenário midiático brasileiro, eu voltaria a assistir televisão.

Obs: Jesse Eisenberg, que atuou como Zuckerberg em A Rede Social, faz uma “ponta” no episódio piloto. Ele interpreta a voz de Eric Neal, funcionário da Agência de Gestão Mineral, em entrevista a Will.

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