10 de jul de 2012

Das Prateleiras: Meia Noite em Paris

Posted by Thaís Colacino On 22:31 0 comentários


Quem já não imaginou que os tempos anteriores ao que vivemos eram melhores, e queria viver nem que fosse um dia neles, que atire a primeira pedra. O que nos diferencia de Gil (Owen Wilson) é que ele consegue viajar até a época que tanto idolatra, com direito a conhecer escritores, pintores e outros artistas que o marcaram.

Meia Noite em Paris (2011, 94 min.) conta a história de Gil, um roteirista bem sucedido do cinema Hollywoodiano, que vai com a família da noiva, Inez (Rachel McAdams) para Paris, cidade que ele venera, e à meia noite ele acaba sendo transportado para 1920, encontrando ninguém menos que Zelda e F. Scott Fitzgerald, Gertrude Stein, Ernest Hemingway e até Picasso, entre outros. Quem mais se destaca é Adriana (Marion Cottilard, encantadora como sempre), por quem Gil se apaixona. Ele fica dividido entre presente e passado, entre a atual carreira e o sonho de ser escritor, e entre as duas mulheres e tendo Paris como cenário. O filme é divertido e romântico, mas muito mais que isso.

O diretor Woody Allen nos brinda com cinco minutos da cidade luz, logo no começo do longa. A cidade, não só pelo que representa para Gil e todos os artistas que lá se reuniam, mostra-se uma escolha comparativa com os EUA. A família da noiva e a própria detestam pensar em mudar-se para Paris (e se você também se pergunta como alguém em sã consciência pensaria isso, tem minha simpatia), com tantos museus e "intelectualidade" e pouco do "glamour" e famosos de Hollywood. Já Gil anseia por tudo isso, por pessoas que pensem e que não esqueçam seus esquecíveis filmes e personagens assim que saem do cinema. "Mas você faz sucesso" diz Inez, mas sucesso e realização nem sempre andam juntos.

Outro ponto maravilhosamente trabalhado é o contraponto entre a futilidade dos personagens americanos, que acreditam que se alguém que eles conhecem é dito inteligente e conhecedor de todo e qualquer assunto, por senso comum, ele o é, mesmo que discorde de alguém que trabalha com a informação (no caso, a guia, interpretada pela ex-primeira dama Carla Bruni).  Ainda fazem troça dessa pessoa. Agora, se alguém "normal" e que não tem fama de conhecer variados assuntos confronta tal "intelectual", mesmo com informações acuradas, é humilhado, afinal, não se veste bem, não falou que leu milhões de livros, não tem aquela "aura" de conhecedor. O que importa são as aparências, não importa o tamanho da mediocridade que esconda. Até mesmo Gil, no começo, ao dizer porque está com Inez, só consegue dizer que ela é linda e inteligente, mas não temos muita prova desse último item. Visto por esse ponto, Meia Noite em Paris critica de forma bem humorada a ignorância e o rápido consumo da cultura decadente.

Com lindos cenários (afinal, é Paris) e ótimas atuações (outro destaque é Adrien Brody como Salvador Dali), o visual do filme e a diferenciação das épocas também merecem destaque: o tempo real é como vemos, mas 1920 vem com cores mais quentes, puxando para o laranja e um pouco desfocado, como a atmosfera de um belo sonho. E é isso que o filme é, um belo e divertido sonho no qual mergulhamos, mas, como Gil, devemos acordar para viver a realidade, inspirados por nossa utopia pessoal e trilhando os passos para um dia sermos nós os inspiradores.

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