4 de jun de 2012

Perdidos no Espaço da TV: Game of Thrones - final de temporada

Posted by Aline Guevara On 20:44 2 comentários


Bronn e a flecha de fogo que dá início a
uma das cenas mais bonitas da série
(Contém spoilers da temporada)

A série sensação da HBO chegou ao final de sua segunda temporada neste domingo (03/06) deixando bons ganchos para seu terceiro ano, mas sem ser tão impecável como a primeira. A série mantém sua qualidade, porém tem problemas ao longo dos episódios.

Tyrion: o anão ainda rouba todas as cenas da série
Inevitavelmente, os produtores chegaram ao momento de ter que dividir o tempo de tela dos já vários personagens da temporada anterior com muitos outros que entram para a trama. E se a apresentação dos novatos é interessante, com direito a uma feiticeira poderosa e uma Tyrell gananciosa, com várias outras frentes tomando importância a esse complexo roteiro, as diversas sub tramas tornaram o desenvolvimento da história corrido demais. E algumas coisas que não têm importância inexplicavelmente ganharam um destaque imenso, como a prostituta Ros.

O destaque da temporada foi a história desenvolvida em Porto Real, com Tyrion, Cersei, Varys e cia, sempre com ótimos diálogos e as maquinações dos jogos pelo poder. A história de Arya, fácil uma das melhores personagens da série também é empolgante e a menina pouco perde em presença mesmo ao lado de Tywin, o terrível patriarca Lannister. Jon e sua jornada além da Muralha é monótona boa parte do tempo, assim como Daenerys do outro lado do mundo, cada vez mais distante de Westeros. Theon, o vira-casaca, também é um dos pontos altos, com sua transformação e ações dignas de transformá-lo em um dos personagens mais odiáveis da trama.

Do lado de Stannis, a feiticeira vermelha
muda o rumo da guerra pelo Trono de Ferro
Mas sem dúvidas, o melhor episódio da temporada é o nono, Blackwater, com as forças de Stannis se chocando com o exército defensor de Porto Real. Com um show de atuação por parte Peter Dinklage (Tyrion), Lena Headey (Cersei), Rory McCann (Cão de Caça) e Jack Gleson (Joffrey), ele é quase impecável. Roteirizado pelo próprio George R. R. Martin, escritor dos livros que deram origem a série, que toma a  decisão certeira de se focar somente em Porto Real, o episódio consegue desenvolver com eficiência um lado que ainda não havia sido explorado na série: a guerra.

Foi particularmente bonita a inclusão da música The Rains of Castamere no episódio, primeiro, cantada por Bronn e os companheiros antes da batalha e depois, nos créditos do episódio após acompanharmos a entrada triunfal de Tywin Lannister no salão do Trono de Ferro após esmagar as tropas de Stannis em Porto Real, interpretada pela banda The National. Para quem não leu os livros, a canção narra a vitória do patriarca Lannister quando jovem contra aqueles que se rebelaram contra o seu pai, que consideravam fraco chamando-lhe de “leão banguela”. Tywin assume o exército Lannister, encurra os rebeldes e os executa em meio a um banho de sangue, aniquilando todos os mebros da família Castamere, líder do grupo. A partir daí, ele se tornou temível entre seus inimigos (e seus amigos também!) e a canção permanece para lembrar todo mundo que não se mexe com Tywin Lannister.


Voltando a série, o último episódio aparece para arrematar algumas tramas e nos deixar afoitos para o que presenciaremos na próxima temporada. E quase consegue concluir o objetivo. Com a vitória em Porto Real vemos os Lannister em seu momento de glória, mais fortes do que nunca agora com uma sólida aliança com outra família poderosa, os Tyrell. Todos os leões vão muito bem obrigada, exceto o único para quem realmente torcemos, Tyrion. Com a chegada do pai o anão é colocado para escanteio e todo o poder que tinha é retirado dele, e isso inclui aqueles que se diziam seus amigos. “Não quer nadar muito perto de um homem que está se afogando?”, pergunta em determinado momento a Varys em um ótimo diálogo entre os dois (ok, dizer que um diálogo dos dois é ótimo é praticamente um pleonasmo). O eunuco tem uma ótima presença no episódio, como na conversa com a prostituta Ros, que mostra que não importa o que ocorra está sempre maquinando seus planos.

Arya faz bonito na temporada e continua como
uma das melhores personagens da série
As cenas de Robb coroam suas ações estúpidas dos episódios passados, com o casamento por amor com a garota que conheceu do nada, mandando as promessas feitas a um importante aliado para o espaço em uma guerra AINDA EM ANDAMENTO. Vemos Brienne e Jaime em uma cena interessante, mas completamente desnecessária, simplesmente prosseguindo seu caminho para Porto Real. Stannis (está dando até para começar a gostar do personagem) se mostra perdido e em dúvidas, mas Melisandre retoma seu argumento que ele é o campeão do seu deus da luz e o convence mostrando-lhe visões no fogo. Ou seja, a derrota em Porto Real não irá parar o pretendente de lutar pelo trono.

Após a fuga de Harrenhal, Arya se encontra novamente com Jaqen, que lhe entrega um presente curioso junto com uma possibilidade: viajar até Braavos e treinar para ser uma assassina sem rosto, que, como ele mesmo demonstra, realmente tem poderes sobrenaturais. O final de Theon é o mais confuso e mal planejado do episódio. Cercado por tropas nortenhas, ele faz um discurso inflamado para os seus 20 homens sobre como morrerão lutando e é bem divertido quando ele é nocauteado para calar a boca, mas não dá para entender nada sobre o que ocorre em seguida. O que seus homens fariam com ele? Como imaginavam retornar a Pyke?  Como Winterfell aparece queimada de uma hora para outra? O que houve com as tropas nortenhas? Essas explicações parecem não ter muita importância para quem desenvolveu o episódio. Bran e Rickon finalmente saem do esconderijo e, com Winterfell vazia, partem para o norte, na esperança de serem protegidos por Jon.

Mas é claro, no momento o garoto não pode proteger nem a si próprio, já que está na companhia de selvagens a caminho de encontrar o Rei-para-lá-da-Muralha, Mance Rayder. Após matar o companheiro Qhorin Meia-Mão, ele vai precisar se passar por um vira-casaca para salvar a Patrulha da Noite do ataque de milhares de selvagens.

Dany decepciona na temporada e está cada
vez mais distante de Westeros
E para quem aguardava ansioso para ver a Mãe de Dragões fazer alguma coisa nessa temporada pode se sentir um pouco recompensado com a cena de Dany na Casa dos Imortais. Mas para quem esperava as visões das profecias de muitas coisas que ocorrerão no futuro da Khaleesi e daqueles que lutam em Westeros, o episódio foi um soco no estômago. Sério mesmo que a única visão que ela teve é que o inverno está chegando? SÉRIO MESMO??? A visão do Drogo com a criança foi bonitinha, mas em nada acrescenta à história. Mas ela comandando os dragões e posteriormente se vingando de Xaro Xhoan Daxos, assim como da acompanhante traidora, serviu não só para mostrar a força da personagem, mas também para dar vislumbres da conquistadora impiedosa que está se tornando.

Mas como não podia deixar de ser, o grande convite para acompanhar a terceira temporada vem da cena final, as três trombetas anunciando o ataque dos Outros e os próprios aparecendo (dessa vez temos uma visão bem clara dos seres) levando um exército para destruir os despreparados homens da Patrulha que se encontram no Punho dos Primeiros Homens.

Que venha a terceira temporada, que não repita os erros dessa, que permaneça com seus acertos  e possa fazer justiça à incrível saga de George R. R. Martin.

Nos vemos na próxima temporada!


2 comentários:

Eu sou apaixonada pela série, e quero muito ler os livros também, apesar de não ter idéia de quando vou começar essa minha aventura.
Adorei o texto e tenho que concordar com ele, pra mim o começo dessa temporada me deixava com a sensação de que nada estava realmente acontecendo, graças a tantos personagens e nucleos dentro da série, que como você explicou deixou o desenvolvimento da série mais lenta.
Mas os dois ultimos eps. pra mim foram maravilhosos, algumas cenas realmente empolgantes! Que tive a sorte de compartilhar ao lado do meu marido, pra quem apresentei GoT a pouco tempo.
Revi a primeira temporada com ele e graças aos Old Gods ele gostou rs, e pôde me dar algumas explicações mto legais sobre aquela cena final ala The Walking Dead. Que apesar de não termos lido os livros acredito serem claramente inspirados pelos Lichs, ou melhor, são LICHS, um tipo de Undead. Eu simplesmente vibrei muito com essa cena, agora é morrer de ansiedade pra proxima temporada né :(
Pelo menos ficarei um pouco feliz quando ouvir a frase "The Winter is coming" por aqui...assim saberei que a primavera também esta e assim sendo essa maravilhosa série.

Olá Patricia!
Nós aqui da Quentin também amamos a série. Mas é claro, apesar da HBO estar fazendo um ótimo trabalho, tenho certeza que você vai gostar de ler os livros, que enriquecem muito mais a história e traz muita coisa legal que não vai ser possível explorar no seriado.
A cena do final da temporada ficou mesmo sensacional! Agora nos resta esperar abril de 2013 para continuarmos acompanhando...

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