18 de mai de 2012

Review: Diablo III

Posted by Thaís Colacino On 13:59 0 comentários


Depois de longos doze anos de espera, é hora de salvar Tristram (de novo!). Ok, na verdade é nova Tristram, nome que parece atrair os males do inferno. O jogo se passa vinte anos após os acontecimentos de Diablo II - Lord of Destruction, com uma estrela caindo na catedral de Tristram, claro. Com isso os mortos começam a se levantar das tumbas e demônios se espalham pelos campos. Cabe a nossos valorosos heróis livrar o mundo do novo mal (Os spoilers estão somente no fim do post).

Fazendo jus ao estilo RPG clássico, o jogo oferece cinco classes de personagens: os já conhecidos (e apelões) Bárbaros; os Caçadores de Demônios, os Arcanistas, os Monges e os Feiticeiros. Cada classe tem seu próprio repertório de habilidades e instrumentos que podem utilizar - e os que não podem. As justificativas são desde "eu não sei usar isso" até o arrogante "eu não vou utilizar isso", que confere um pouco de realidade, afinal, não é porque você saiu de casa pra destruir demônios que você é perito em todas as armas. As armaduras também são personalizadas: arcanistas e feiticeiras encontram tops que servem de armadura, enquanto é normal para os caçadores encontrar mantos, e para os bárbaros...cintos.

Arcanista, Feiticeiro, Caçadora de Demônios, Bárbaro e Monge

Toda vez que você começa o jogo, uma pequena animação confere os motivos de seu personagem ir atrás da estrela cadente e dos horrores que ela começou. E, diferente dos primeiros jogos, que utiliza mana para qualquer coisa, cada classe tem algo que lhe confere poder. Você também pode escolher o gênero (feminino ou masculino) de cada classe. Vamos aos pormenores:

Bárbaros:
Estão procurando um inimigo digno e usam a Fúria para combatê-los, que somente é gerada quando batem ou quando levam dano. Entre as habilidades, têm as primárias, secundárias e defensivas, como todas as classes, mas também as habilidades de poder, raiva e táticas. Utilizam a força física, como sempre.



Caçadores de Demônios:
Vingança é o que os move. Tiveram baixas na família e a cidade destruída e querem matar tudo que seja do inferno. Utilizam Ódio para as habilidades ofensivas e Disciplina para as táticas (que demora mais para regenerar). É a única classe que divide a fonte de poder das habilidades. Entre as habilidades, têm a caça, os dispositivos e o arco e flecha, melhor arma deles. Utilizam dissimulação, armadilhas e ataques à distância.


Monges:
Querem trazer de volta o equilíbrio para o mundo, que a estrela desfez, e acreditam estar em uma missão divina. Fora as habilidades básicas, têm as técnicas, o foco e o mantra, e os usam com Espírito.  São artistas marciais e utilizam os punhos, com alguma ajuda de raios e outros poderes, para acabar com os inimigos.



Feiticeiros:
Mais parecidos com xamãs, respondem ao chamado dos espíritos, que não desejam o fim do mundo. É a única classe que utiliza a velha conhecida Mana. Entre as habilidades estão o terror, a decomposição e o vodu. Os ataques são feitos a distância, com dispositivos envenenados, ou chamando forças para combater para você (mãos que saem do chão e retardam os inimigos, por exemplo).


Arcanistas:
Buscam conhecimento e desenvolvimento do próprio potencial e cumprimento do "destino". Utilizam o poder Arcano para as habilidades que, fora as básicas, são: força, conjuração e maestria. Tem grande variedade de poder: raios, gelo, fogo...Ataca a distância, mas tem ataques poderosos.


Apesar de todos terem três habilidades em comum, são diferentes entre si. Conforme o jogador evolui, pode escolher entre o grande número de opções dentro daquela habilidade (por exemplo, a primária tem três opções, mas você só pode escolher uma, mas pode mudar a escolhidaquando quiser). Assim, o jogador pode criar seus próprios combos de ataque. Exemplo (pessoal): utilizo o caçador de demônios disparando flechas que ricocheteiam procurando novos alvos. Se o inimigo chega perto, desapareço em uma cortina de fumaça (habilidade primária), lanço a habilidade defensiva de lâminas ao meu redor e acabo com a habilidade secundária de salto para trás, voltando a ficar longe.

Assim, como o segundo jogo, as forças do mal não se concentram apenas em um local (ou uma catedral). O jogo tem vários "atos" e o herói viaja para outras cidades onde os males estão influenciando. 

Vamos às diferenças: no jogo você tem a opção de aceitar seguidores. Você não simplesmente ganha uma arqueira ou contrata um mercenário, mas pode aceitar viajantes e guerreiros que, como você, estão lutando contra o mal (ou procurando tesouros). Na maior parte do jogo você pode ficar somente com um seguidor, mas de vez em quando todos se encontram e você fica com mais. Você pode escolher entre eles, sem pagar nada, e cada um tem uma "classe" e também treinam habilidades (que você escolhe, de acordo com o que quiser).

O jogador também não precisa gastar mana ou pergaminhos para voltar ao acampamento/cidade/fortaleza. Há pontos de "teletransporte" espalhados pelos mapas e o portal direto é grátis, após você completar uma missão. O próprio herói identifica os objetos e também não precisa pagar pela ressurreição: ele é revivido no último ponto de controle, totalmente equipado, mas os itens que possui perdem 10% de durabilidade a cada morte. 

Os pontos de controle são os locais nos quais o jogo é salvo: não há opção de salvar por si próprio. Para alcançá-los o jogador deve completar uma missão, chegar em algum lugar, falar com alguém... O interessante de Diablo 3 é que, como um RPG, as missões vão se alterando, saindo do básico matar-ganhar experiência. O herói tem que investigar o que está acontecendo, salvar pessoas de humanos (sim, você luta contra outros humanos), libertar prisioneiros, salvar cidades... E, claro, matar demônios.

Outro ponto interessante é que, por precisar de conexão com a internet, o baú pessoal dos heróis é compartilhado entre seus outros heróis, ou seja, se você encontrar algum objeto raro para outra classe, pode guardar no baú e pegar com outro herói. Infelizmente o baú pessoal é extremamente restrito em espaços, forçando o jogador a comprar mais se necessário.

Outra 'coisa' que é compartilhada entre os heróis é o artesão. Após completar uma missão, ele começa a criar itens personalizados para o herói, mas depende de experiência. Então você pode pagar para o artesão treinar e produzir peças melhores. Os outros heróis, de outros jogos podem pagar para o artesão melhorar, e ele produz peças para todas as classes. Outra coisa legal é que o jogo compara automaticamente os itens equipados e os que você tem na bolsa.

Em Diablo III, não há lugar sagrado: mesmo dentro do acampamento/cidade que o herói estiver, as forças das trevas podem estar infiltradas e começar a atacar, ou os mortos viram zumbis, ou simplesmente um dos inimigos poderosos aparece por ali só pra tirar com a cara do herói.

Fora os pontos de controle, que são chatos, minha única reclamação com o jogo são algumas animações desnecessárias. As animações específicas dos heróis aparecem como desenhos em um livro antigo e, eventualmente, repetem a informação que acabaram de receber, como que para reafirmar que aquilo é importante.

Diablo III tem uma quantidade assustadora de informações. São pergaminhos, livros, contos, conversas aleatórias, conversas com outros pcs, tudo em meio aos gritos dos monstros. O herói tem uma lista de contos para ler e reler (e ouvir) se quiser. Acredito que por isso trouxeram a versão dublada para o país. Muitas das vozes são reconhecíveis de filmes (apesar de não saber apontar quais deles). Eu preferia a versão original (ainda mais por causa de alguns chefes de fase que falo nos spoilers, ali embaixo), mas é compreensível a escolha.

Inventário e propriedades do herói: Inteligência, Vitalidade, Destreza... O bom e velho RPG

O jogo continua mostrando os heróis de cima e as duas típicas bolas de vida e habilidade. Agora, em vez de herói carregar milhares de poções de cura, os próprios inimigos deixam globos de vida quando morrem (ou se for um chefe, quando certa quantidade de vida é tirada). As poções também podem se sobrepor, ocupando somente um espaço na mochila e no baú. Boa parte do cenário pode ser destruída e os heróis podem utilizar falhas na arquitetura para fazer armadilhas para os inimigos.

Apesar de alguns terem reclamado das cores do jogo, que estaria mais colorido e brilhante, isso não é de longe algo ruim. O jogo tem sim mais cores, afinal, não é porque são forças das trevas que tudo precisa ficar escuro. A visibilidade do herói está menor, com um círculo menor de luz por ele projetado ao seu redor. As tumbas e criptas continuam aterrorizantes, cheias de sons de insetos ou outras coisas que o jogador não vê, mas que o vê. A luz também muda conforme o local: tumbas são geralmente azuis, mas espaços sem luz ficam verdes - e mais escuros. A Blizzard criou uma fase secreta, totalmente colorida com arco-íris e unicórnios para os jogadores matarem, como resposta aos que acharam colorido demais o jogo. Para alcançá-la, você precisa dos seguintes itens: Black mushroom (Cathedral Level 1, Ato 1), Shinbone (Leoric's Manor, Ato 1),  Liquid Rainbow (Mysterious Cave no mapa Mysterious Chest, Ato 2),  Wirts Bell (Um dos mercadores da cidade, Ato 2), Gibbering Gemstone (Chiltara, Caverns of Frost, Ato 3) e Plans (Izual, Ato 4).

ISSO  é uma fase colorida. Haters gonna hate
A qualidade dos gráficos é visivelmente melhor e as animações não devem nada para nenhum console. O clima de terror permeia o jogo todo, com inimigos saindo de lugares escondidos, monstros enormes que são muito rápidos (e guardam surpresas dentro de si), monstros que vomitam/criam/invocam outros monstros, monstros raros e mágicos... Tudo na melhor ambientação rpgística, na qual você escolhe se quer ficar somente na história principal ou fazer as paralelas e explorar todos os mapas (que, aparentemente, se alteram a cada jogo). Há também cidades com corpos espalhados, sangue por todo lugar, torturadores... E uma certa casa de tortura, com seis níveis, cheia de instrumentos de tortura, corpos decompostos ou cortados, cabeças e muito, mas muito sangue.

Diablo III é um jogo que valeu a pena esperar, tanto pelos saudosistas quanto para a nova geração de jogadores, que vão conhecer os horrores que os males, grandes e inferiores, podem causar.

Deckard Cain: sobrevivente e constantemente resgatado
E Deckard Cain? O sobrevivente máximo dos jogos, último dos Horadrim, continua no jogo, mesmo após vinte anos e ele continuar tão -ou mais- velho que nunca. Apesar disso, para variar, os demônios parecem evitá-lo quando atacam. Ou não. 
 

 
*** SPOILERS SOBRE A TRAMA: ***

Os males maiores do inferno (Diablo, Mephisto e Baal) foram banidos, cabe então aos males menores, Belial e Azmodan, lutar pelo poder. E é isso que fazem, na Terra. Mas eles não são os responsáveis pela estrela cadente. O responsável é um ex-anjo. Aparentemente, se você renunciar ao Céu, demônios despertarão no local onde você cair. Há também uma série de humanos loucos, cultistas das trevas, que fazem torturas e tomam cidades para o senhor deles. E seu herói sabe tanto quanto você - nada. As informações chegam através de Deckard Cain ou Léa, a sobrinha adotiva dele, que é filha de uma bruxa e tem um poder latente.

Sentiu saudades?
Para os saudosistas de plantão (como eu), Diablo III guarda algumas surpresas, que mostram que, mesmo inimigos derrotados no primeiro jogo foram somente mandados de volta para o inferno e voltam repaginados. Um deles é o Rei Leoric, ou o Rei caveira (nível três da catedral do primeiro jogo). Para quem não lembra, ele era o pai da criança que enfiou o cristal do Diablo na testa. O jogo atual conta o que aconteceu para Leoric enlouquecer, as influências do filho nas decisões sobre o reino e as paranoias do rei.

Outros inimigos comuns, como os cabritos com machados, os xamãs vermelhos, os espíritos e os esqueletos estão lá. Mas a maior surpresa até agora (estou no ato II ainda) foi... O carniceiro (Butcher). "Carne fresca/ Fresh meat". Sim, a frase que assustou até a unha do seu dedo mindinho e aquele que a pronunciou está de volta e não apenas é um monstro raro, mas um chefe de fase, gigante, com novos poderes e com gráficos melhores - ou seja, ainda mais amedrontador. Isso sem contar que ele está acima de grades que eventualmente jogam fogo em você. Boa sorte com isso.

Diablo III faz de tudo para agradar seus antigos fãs com tal saudosismo, sem deixar de lado milhares de outros motivos para novos fãs surgirem. Eu espero ansiosamente que os cavaleiros e sucubos apareçam.


*** FIM DOS SPOILERS ***

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