6 de mai de 2012

Crítica: Paraísos Artificiais

Posted by Redação Quentin On 23:19 0 comentários


Sinopse:

Erika (Nathalia Dill) é uma DJ de relativo sucesso e muito amiga de Lara (Lívia de Bueno). Juntas, durante um festival onde Erika trabalhava, elas conheceram Nando (Luca Bianchi) e, juntos, vivem um momento intenso. Entretanto, logo em seguida o trio se separa. Anos depois Erika e Nando se reencontram em Amsterdã, onde se apaixonam. Só que apenas Erika se lembra do verdadeiro motivo pelo qual eles se afastaram pouco após se conhecerem, anos antes.




Por Renan Martins

Em seu primeiro longa de ficção como diretor, Marcos Prado (produtor de Tropa de Elite 1 e 2) leva às telas o vazio existencial da juventude urbana de classe média, em meio a busca por identidades, a desarticulação da família e o refúgio no prazer imediato e fugaz.

Temas como esses foram discutidos no cinema nacional em Meu nome não é Johnny, de 2008 - filme dirigido por Mauro Lima e estrelado por Selton Mello. Na história do protagonista, oriundo da classe média alta carioca, figuram o vício das drogas, a falta de limites, as atitudes impotentes dos pais, a delinquência e o flerte com a morte.

Em Paraísos Artificiais, Érika, uma DJ interpretada por Nathália Dill, Lara (Lívia Bueno) - amiga “rave” e afair de Érika e Nando (Luca Bianchi), desenhista que se envolve em romance com a DJ, constituem o núcleo em torno do qual se constrói a trama em que prazer e dor vão se entrelaçar simbioticamente, as duas emanando das mesmas fontes.

Em comparação à Meu nome não é Johnny, o retrato de uma juventude sem limites e em busca de um sentido para a vida resultou em algo mais visceral. Sobretudo por conta do tratamento fotográfico empregado por Lula Carvalho, que também integrou a equipe de Tropa de Elite.

As paisagens naturais receberam planos imensos, panorâmicos: o azul da água e do céu explodindo nos telões e a textura da areia e das rochas fazem o espectador pensar que as pode tocar, apenas olhando para elas. As raves foram inundadas com muitas matizes de cores - o roxo e o verde estourando, somados aos ângulos em close, terminam por nos levar para dentro da festa.

A cidade de Amsterdam também recebeu planos largos, exibindo sua urbanização limpa e organizada, enquanto que o Rio de Janeiro revelou-se mais introspectivo e psicanalítico na praia.

O acaso tem papel importante, unindo e reunindo as personagens pelos três espaços de deslocamento do filme - o nordeste brasileiro, o Rio de Janeiro e a cidade de Amsterdam. Em alguns momentos fica difícil acreditar em tantas coincidências do destino, mas a fragilidade do enredo é compensada pela estrutura não linear da história, intercalando diversos tempos narrativos que recuam e progridem no tempo com sutileza.

Talvez o vício do filme sejam as longas cenas “clipadas”, em que a ação se desenrola em câmera lenta sobre um fundo musical. Paraísos Artificiais abusa desses momentos que poderiam ser mais raros e breves, de forma a não prejudicar a visceralidade – sua maior virtude.

Darren Aronofsky legou ao espectador uma perspectiva bastante sombria para a juventude em seu “Réquiem para um Sonho”. Lançado em 2000, o longa narra o declínio de jovens e adultos para o mundo das drogas e do prazer fácil, numa busca desesperada por afirmação de identidades que se dissolvem no ar. O filme de Prado, a despeito das tragédias familiares e individuais, ainda crê na redenção como possibilidade, mesmo que para isso se tenha que contar com uma ajudinha da sorte.


Elenco
Nando…………………..Luca Bianchi
Érika……………………..Nathália Dill
Patrick…………………..Bernardo Mello
Lara………………………Livia de Bueno
Lipe………………………César Cardadeiro
Marcia…………………..Divana Brandão
Anderson……………….Cadu Fávero
Carlão……………………Eron Cordeiro
Pierre…………………….Sacha Bali
Marc……………………..Roney Villela
Dora……………………..Juliana Guimarães

Equipe Técnica
Direção e Produção………………………………Marcos Prado
Produção…………………………………………….José Padilha
Roteiro………………………………………………Marcos Prado, Pablo Padilla e Cristiano Gualda
Produção executiva………………………………Tereza Gonzalez
Preparação de elenco…………………………….Fátima Toledo
Direção de fotografia……………………………..Lula Carvalho
Direção de arte…………………………………….Claudio Amaral Peixoto
Figurino………………………………………………Claudia Kopke
Som……………………………………………………Leandro Lima
Montagem…………………………………………..Quito Ribeiro
Coordenação de produção……………………..Liliana Nogueira
Supervisão de finalização………………………..Juca Diaz

Orçamento do Filme: R$ 10,5 milhões




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