5 de fev de 2013

Das Prateleiras: Violência Gratuita

Posted by Aline Guevara On 20:13 0 comentários


Michael Haneke não é um cineasta comum e como já deu para perceber por seu trabalho, ele também gosta de questionar, polemizar e tratar de assuntos que a maioria de seus colegas de profissão preferem ignorar. Reconhecido só agora pelo maior prêmio da sétima arte, ele concorre pela primeira vez ao Oscar este ano, indicado com o seu ótimo Amor (Amour, 2012) aos prêmios de melhor filme (uma surpresa), melhor filme estrangeiro, melhor roteiro original e melhor diretor. Mas Haneke já chamava a atenção dos críticos e do público muito antes, e Violência Gratuita é um desses motivos.

Na trama, vemos a família composta Ann (Naomi Watts), George (Tim Roth) e o menino Georgie (Devon Gearhart) saindo de viagem para aproveitarem férias tranquilas em uma casa à beira de um lago. Logo ao chegarem são abordados por dois jovens, aparentemente simpáticos, que não demoram muito para fazer os três de reféns. A partir daí, acompanhamos uma série de torturas físicas e, principalmente, psicológicas, infringidas pela dupla de sádicos, que gostam de lembrar às vítimas que eles não vão sobreviver até o dia seguinte.



Longe do que pode parecer a primeira vista e a primeira lida no título, este não é um filme clichê de suspense/terror com requintes de crueldade. Violência Gratuita é um exercício de estilo e uma discussão sobre o cinema. Haneke nos mostra claramente a manipulação. Parece óbvio, mas o cinema também é escapismo e muitas vezes nos deixamos levar pelo entretenimento cinematográfico sem nem mesmo parar para pensar no que estamos assistindo ou como as nossas opiniões e emoções estão sendo meticulosamente conduzidas pelos criadores do filme. 

Haneke escancara isso na nossa frente com um belo tapa na cara e com uma cena frustante envolvendo um controle remoto. Nós somos cúmplices da violência sofrida pela família, como o vilão não nos deixa esquecer e, assim como o diretor do filme, não está nem um pouco interessado na nossa angústia ou nas nossas expectativas para que ele seja subjugado pelos mocinhos da história. 


Aliás, criar expectativas só para desbancá-las depois é algo que Violência Gratuita faz o tempo todo. É interessante perceber que a única violência física explícita do filme é contra um dos garotos psicopatas. Quase como se essa fosse a única que aprovaríamos e até vibraríamos por ela. Mais uma vez, Haneke mostrando a sua manipulação.

A única coisa que merece uma ressalva é a própria existência desta versão norte-americana, uma vez que ela é a refilmagem de um filme do próprio Haneke em 1997, com o mesmo título original, a mesma história, os mesmos diálogos e até as mesmas tomadas, mudando somente os atores. De qualquer forma, o trabalho de Naomi Watts, Tim Roth, o menino Devon Gearhart e dos atores que interpretam os psicopatas Paul e Peter, Michael Pitt e Brady Corbet respectivamente, é excepcional. 

Recomendadíssimo para quem gosta mesmo de cinema.

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