10 de nov de 2012

Crítica: Argo

Posted by Natália Lins On 16:54 0 comentários






Ben Affleck está realmente se empenhando para fazer as coisas darem certo. Em seu terceiro trabalho, onde faz ao mesmo tempo o papel de diretor e ator, mostrou que está se solidificando no mercado cinematográfico.

A prova disso é seu novo filme, Argo. A história real recontada pelo roteiro de Chris Terrio, e baseada em um artigo de Joshuah Bearman, é ambientada em 1979, quando manifestantes iranianos invadiram a embaixada norte-americana em Teerã exigindo que o governo entregasse o sádico xá Reza Pahlevi, que prendia e torturava quem discordasse de sua forma de fazer política, levando o país à miséria. Furiosos, os iranianos fizeram 54 prisioneiros. Porém, seis funcionários escaparam durante os ataques e esconderam-se na casa do embaixador canadense Ken Taylor (Victor Garber).


A CIA, preocupada em extraí-los do país, recorreu ao agente Tony Mendez (Ben Affleck), especialista em extradições. Ciente de que seria apenas uma questão de tempo até que a inteligência iraniana descobrisse quem eram os foragidos e onde poderiam estar refugiados, Mendez tem a famosa "melhor má ideia" para solucionar o caso: Simular uma produção de ficção científica baseada (ou quase um plágio mesmo) no sucesso Star Wars, interessada em utilizar o Irã com suas paisagens exóticas, como cenário. Essa era a única justificativa plausível para a entrada dele e de mais seis norte-americanos no país, no qual assumiriam os papéis de integrantes da produção cinematográfica. Para tal feito contou com a ajuda do maquiador John Chambers (John Goodman) e do produtor Lester Siegel (Alan Arkin).

A dualidade de ambientes na tela flui com naturalidade, saltando do Teerã, com seus tons cinza frios e com sequência cheias de tensão e urgência, a Los Angeles, com suas cores intensas e com tramas mais leves, permitindo-se até se fazer piadas, o que quebra um pouco o peso dramático do longa. Mas sempre que o humor surge na tela, em seguida o espectador é lembrado da urgência da situação.




A narrativa é muito bem conduzida por Ben Affleck, diretor com muito talento e inteligência. Mesmo com a complexidade de lidar com um número grande de personagens, ele foi capaz de explorá-los de forma proveitosa, não deixando que o espectador ficasse confuso em momento algum.

Não se levante da cadeira assim que a película acabar, pois junto com os créditos inicia-se uma pequena amostra da pesquisa histórica realizada para realização da obra. Fotos, documentos e até narrações são apresentadas ao público para garantir que o longa foi realmente "baseado em fatos reais".



Argo vai muito além de um simples entretenimento, ele aborda questões e fatos históricos vividos por pessoas reais. Dramas e tensões provocados por seres humanos com pensamentos ignorantes e até arcaicos, mas infelizmente vivenciados há poucos anos.


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