4 de ago de 2012

Crítica: Bel Ami

Posted by Aline Guevara On 10:45 0 comentários



Bel Ami parece ser um filme produzido sob medida para Robert Pattinson se livrar do estigma de vampiro casto e brilhante, afinal, neste seu personagem não só não parece um pote de purpurina ao sol, como também vive de sexo. O longa é baseado no romance homônimo de Guy de Maupassant, escrito em 1885.

George Duroy (Pattinson) é um ex-soldado pobre e ignorante, mas com uma grande ambição. Ele quer ascender socialmente e, principalmente, financeiramente, e percebe que possui uma poderosa arma para ajudá-lo: ele consegue seduzir as mulheres que deseja, todas esposas de homens importantes e influentes.

As mulheres de Duroy: Virginie, Madeleine e Clotilde
De Clotilde de Marelle (Christina Ricci) ele consegue um bom lugar para viver, já que a amante paga um quarto para manter como “ninho de amor” para os dois. De Virginie Rousset (Kristin Scott Thomas) ele consegue o cargo de jornalista na publicação dirigida pelo seu esposo. De Madeleine Forestier (Uma Thurman) consegue os textos inteligentes e engajados, que o ajudaram não só a ascender no jornal, mas também a ajudar a interferir no governo francês. A relação com a última mulher é a mais complexa, afinal, ela é a única que ele não consegue dominar, ocorre justamente o contrário: ao invés de seduzi-la para conseguir algo para si é ela que se mostra manipuladora, usando o ignorante Duroy para alcançar seus próprios objetivos.

Pattinson não tem uma boa atuação em Bel Ami, suas caretas e expressões exageradas mais uma vez a dominam. Em um momento do filme, para evidenciar sua obsessão por dinheiro, o ator chega a arregalar os olhos diante de um montante de notas com tal intensidade que só falta começar a babar e pular sobre a quantia. A cena, inclusive, era desnecessária, uma vez que já percebemos o que é mais importante para Duroy. Em vários outros momentos no filme, Pattinson mantém sua tão conhecida expressão de sofrimento constante, ainda que o personagem esteja alegre. Ele consegue se destacar nas cenas em que Duroy realmente está sofrendo, conferindo uma expressão mais verdadeira ao protagonista.

Mas o grande problema de Bel Ami nem é Robert Pattinson, que parece ter se esforçado na atuação (ainda que o resultado seja sofrível), mas sim seu roteiro, fraco e previsível. E chato, muito chato. A busca pela ascensão social por meio da sedução não é exatamente um tema inédito, mas logo a partir das primeiras cenas do filme podemos visualizar seu desenvolvimento. Além disso, somos obrigados a aguentar diversos diálogos horríveis como “Depois de tudo que eu fiz, porque você ainda volta para mim? – Não sei. Acho que porque você nunca espera por isso”. É impressionante como apenas 102 minutos de projeção conseguem ser mais do que o suficiente para você torcer para o filme acabar logo.

A direção de arte do filme é muito boa e a reprodução dos figurinos da época é excepcional, no entanto, a trilha sonora é caricata ao extremo, tornando-se irritante. A melodia suave e leve exprimem de prontidão a alegria do personagem, enquanto os acordes mais pesados e marcantes evidenciam, para quem já estiver com sono e não estiver acompanhando o que está ocorrendo na tela, que aquele é um momento de tensão e Robert Pattinson deve fazer sua careta séria.

Bel Ami se revela um filme muito fraco e desinteressante que, apesar de ter alguns bons momentos, não se sustenta como um todo e é esquecido com facilidade. Quem sabe Pattinson tem mais sorte com Cosmópolis.

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