31 de mai de 2012

Era uma vez: O Trono do Sol

Posted by Aline Guevara On 14:36 0 comentários



O Trono do Sol  - A Magia da Alvorada (“A Magic of Twilight”) é um livro que chama a atenção e desperta aquela vontade irresistível de lê-lo. Primeiro, a capa é linda. E que atire a primeira pedra quem nunca comprou um livro atraído pela capa. Segundo, a nota introdutória vangloriando sua história escrita por ninguém menos que o novo mestre da literatura fantástica, George R. R. Martin. Terceiro, a sinopse da contra capa é muito empolgante.

“Uma fantástica história sobre assassinatos e magia, decepção e traição, política maquiavélica e amantes perigosos, em um mundo onde uma guerra devastadora está prestes a estourar...”

Ok, talvez uma premissa tão exagerada como essa deveria ter soado como um aviso para diminuir um pouco as expectativas...


O Trono do Sol se passa na fictícia Nessântico, uma cidade rica que estende seu poder por vários territórios, conhecidos por Domínios, e que atrai para si intelectuais de todo o mundo, pessoas influentes, religiosos de ideologias diversas. Logo na introdução, o autor S. L. Farrell explica que se Nessântico tivesse um gênero, ela seria mulher, forte, sedutora e alvo de inveja de diversas outras cidades que não podem rivalizar com ela.

É em Nessântico que se localiza o centro de poder da kraljica Marguerite ca’Ludovici, espécie de rainha da cidade e seus Domínios. Ela se prepara para celebrar o seu jubileu enquanto decide se vai mesmo passar a coroa para o filho Justi, cuja capacidade de governar é motivo de dúvidas da mãe. Em apoio à governante está Dhosti ca’Millac, líder da Fé de Concénzia, religião oficial dos Domínios, que tenta pregar a coexistência entre as diferentes crenças, como a do numetodo Karl ci’Vliomani que não crê na existência de um ser superior, enquanto luta para confrontar o fanático Orlandi ca’Cellibrecca. Este quer tomar atitudes drásticas contra aqueles que não crêem em Cénzi e não utilizam a magia em nome do deus. Permeando as tramas, está Ana co’Seranta, uma jovem sacerdotisa que possui uma impressionante habilidade com a magia. A margem de tudo isso, está Jan ca’Vörl, líder de um poderoso exército vizinho de Nessântico e quer conquistar a cidade para si.

Sim, os nomes inventados são bem complicados inicialmente, mas não chega a ser um empecilho uma vez que o leitor se acostuma. É interessante a ideia de atribuir um sufixo como “co” e “ca” para as famílias de renome e também de criar termos próprios para uma cultura própria, criada da mente de Farrell.  O livro é narrado em capítulos a partir do ponto de vista dos personagens, assim como ocorre com As Crônicas de Gelo e Fogo, apesar do grande número de pontos de vista de Ana, em detrimento dos outros, deixar claro que a moça é a protagonista.

Segundo livro da série deve chegar
ao Brasil em outubro
O começo da história é ótimo. As descrições sobre esse mundo, as apresentações dos personagens, as articulações políticas iniciais, é tudo muito fascinante. Mas seu desenvolvimento deixa muito a desejar, recorrendo a clichês e soluções fracas para seguir com os objetivos do escritor.

Como o livro é narrado do ponto de vista dos personagens, é de se esperar que estes sejam apaixonantes, mais uma vez tendo como base As Crônicas de Gelo e Fogo. Mas não é bem assim. Dhosti e Marguerite são exceções, bem construídos e instigantes, mas o restante dos personagens são instáveis, ora interessantes ora decepcionantes, pendendo com mais frequência para o segundo. A própria Ana, que começa a história muito bem, num misto de ingenuidade e sofrimento pelo que passou na casa dos pais, tem uma transformação abrupta que não faz o menor sentido. A história de amor inserida no contexto é muito rasa, o que torna suas consequências superficiais e dignas de descrédito.

Um ponto positivo da história é como a magia é utilizada. Chamada frequentemente de Ilmodo, ela não é manipulada com facilidade e exige muito de quem a utiliza, impondo fadiga e até dores físicas, dependendo da dificuldade do encantamento.

O Trono do Sol é o primeiro livro de uma trilogia de Farrell. A leitura é tranquila, fácil e rápida, mas  a impressão que fica ao terminar não é das melhores, a conclusão é abrupta demais (para não dizer sem graça). Ainda assim, vale a pena para quem gosta muito do gênero de fantasia por causa da qualidade do mundo criado pelo escritor. O segundo livro da série (“A Magic of Nightfall”, ainda sem tradução oficial) deve chegar ao Brasil em outubro segundo a editora Leya e se passa 25 anos após os eventos do primeiro volume.

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